Um equipamento que permite visualizar as veias sob a pele tem ajudado a tornar procedimentos mais rápidos, seguros e menos dolorosos para pacientes em tratamento de saúde, especialmente os oncológicos. A tecnologia, chamada venoscópio, utiliza luz infravermelha ou LED para mapear a rede venosa em tempo real, facilitando a punção e reduzindo o número de tentativas.

O recurso já é utilizado no Hospital São Vicente, em Curitiba, e tem se destacado principalmente em pacientes que passam por quimioterapia, já que o tratamento frequente pode fragilizar as veias ao longo do tempo.
Como funciona a tecnologia
O venoscópio usa um sistema de transiluminação que projeta a imagem das veias na superfície da pele, mesmo quando elas não são visíveis ou palpáveis. Com isso, profissionais conseguem identificar melhor o trajeto dos vasos sanguíneos, o calibre e possíveis ramificações, escolhendo o ponto mais adequado para o acesso.
Segundo a coordenadora de enfermagem da oncologia da instituição, Regiane Karoline dos Santos, o equipamento tem impacto direto na qualidade do procedimento.
“Principalmente na quimioterapia, ele reduz tentativas, preserva a rede venosa e aumenta o conforto e a segurança do paciente”
explica.
Ela destaca ainda que a tecnologia contribui para diminuir complicações. “As punções ficam mais direcionadas, com menor risco de perfurar estruturas indesejadas. O paciente sente menos dor e ansiedade, nós levamos menos tempo e reduzimos a chance de problemas como hematomas, falhas de acesso e extravasamento de medicamentos”, afirma.
Benefícios vão além da oncologia
Embora seja bastante útil em pacientes com câncer, o venoscópio também pode ser aplicado em outros contextos clínicos, como:
- pessoas com veias profundas ou difíceis de localizar;
- pacientes com obesidade ou edema;
- casos de desidratação ou pressão baixa;
- crianças e idosos;
- situações de vasoconstrição provocada pelo frio.
De acordo com a especialista, o uso do aparelho também ajuda a prevenir complicações mais graves. “Os problemas evitados variam desde hematomas leves até flebites, tromboses venosas e infecções locais, que podem atrasar tratamentos e aumentar custos”, diz.
A tendência, segundo profissionais da área, é que tecnologias de visualização venosa se tornem cada vez mais presentes na rotina dos serviços de saúde, acompanhando o avanço de soluções voltadas à segurança do paciente.