Diante da lotação de hospitais que atendem casos de alta complexidade em Curitiba (PR), a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR) negou, nesta sexta-feira (12), que as unidades estejam enfrentando um colapso. Segundo a pasta, as ocorrências relacionadas a traumas lideram a procura pelos hospitais.

Em entrevista à Banda B nesta sexta, o diretor-geral da secretaria, César Neves, afirmou que “todos os prontos-socorros de Curitiba estão abarrotados”. A declaração ocorre horas depois de a reportagem revelar o drama de pacientes que aguardavam, dentro de ambulâncias, por atendimento no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM).

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12, mar. 2024 | Dentro de ambulâncias, pacientes aguardam mais de três horas por atendimento no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie – Foto: Banda B

De acordo com Neves, o Hospital do Trabalhador, por exemplo, vê uma alta de casos envolvendo acidentes de trânsito. Pertencente a um complexo, a casa hospitalar já atua para remanejar pacientes a outros hospitais, como o Hospital de Reabilitação, o Oswaldo Cruz e o da Lapa. O objetivo, diz ele, é “abrir espaço para pacientes graves”.

Levantamento feito pela Banda B com base em dados do Corpo de Bombeiros mostra que, entre 1º de fevereiro e 12 de março, houve 1.726 acidentes de trânsito em Curitiba. No mesmo período do ano passado, a capital paranaense registrou 1.629 acidentes automobilísticos.

Em todo o Paraná, segundo o Corpo de Bombeiros, o 1º trimestre foi marcado por um aumento de 9,14% no número de acidentes de trânsito se comparado ao mesmo período de 2023. No ano passado, foram 10.009 ocorrências. Em 2024, 10.924 episódios.

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O Complexo Hospital do Trabalhador (CHT), referência no atendimento de traumas – Foto: José Fernando Ogura/AEN

Segundo apurou a reportagem, a taxa de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital do Trabalhador atingiu 100%. No Hospital Universitário Cajuru, o pronto-socorro e o setor de UTI estão operando com capacidade máxima nesta sexta (12). A Banda B procurou o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie e aguarda retorno.

“Ainda não há impacto da síndrome respiratória aguda, que vai começar em poucos dias, e da dengue, que superlota a porta de entrada, mas não superlota leitos. Tenho certeza que, logo ali, as doenças respiratórias vão começar a impactar… À medida que as temperaturas forem caindo, a gente fatalmente vai ter maior procura não só em leitos de adultos, como também de pediatria”, apontou o diretor-geral da Sesa.

Embora negue a existência de um colapso, Neves confirmou à reportagem que existe a possibilidade de o sistema de saúde de alta complexidade de Curitiba enfrentá-lo com a chegada de novos casos de dengue e síndromes respiratórias agudas.

“Ainda não podemos dizer isso. Se tivéssemos tendo hospitais abarrotados por causa de síndromes respiratórias agudas, poderíamos usar uma expressão como essa. As medidas já estão sendo tomadas para evitar”, acrescentou.

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O HUEM, que enfrenta lotação do pronto-socorro – Foto: Divulgação

Membros da Secretaria de Estado de Saúde devem se reunir hoje com representantes da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) para definir e estudar medidas a fim de diminuir a incidência de acidentes de trânsito em Curitiba.

“Já temos planos de contingência para possivelmente abrir mais lentos, mas estamos muito preocupados com a questão do trauma”, disse César Neves.

Por fim, o diretor orientou que a população evite procurar os hospitais diretamente se apresentarem casos leves: “Em casos mais leves, não se deve procurar direto os hospitais, procure a Unidade Básica. Se ela não for resolutiva, procure as UPAs.”

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Sesa nega colapso em meio à lotação de hospitais e revela preocupação com dengue e síndromes respiratórias

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