O uso das ‘canetas emagrecedoras’ transformou o tratamento da obesidade, mas os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 exigem cuidados tanto com o uso quanto com o descarte das medicações. 

Uso de canetas emagrecedoras exige o cuidado com a indicação correta e descarte adequado dos objetos
Canetas emagrecedoras exigem cautela (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

Os fármacos que atuam retardando o esvaziamento gástrico e enviando sinais de saciedade ao cérebro, foram desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2. A Secretaria da Saúde (Sesa) alerta sobre os problemas que podem ocorrer devido a banalização do uso estético das medicações. 

“Esses medicamentos são eficazes, se utilizados sob supervisão, com indicação médica e para a finalidade específica de que foi desenvolvida. Usar sem critérios, pode gerar complicações. Por isso, é muito importante tomar o devido cuidado”
– diz o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Apesar de popularizadas como ‘canetas emagrecedoras’, elas não foram criadas para a finalidade específica de emagrecimento, e sim para tratamento de pacientes diabéticos, ou seja, que apresentam níveis de glicose no sangue acima do normal. Elas não são distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não se trata de uma droga anorexígena [inibidora de apetite. A ação no organismo é a sensação de saciedade. A pessoa come uma torrada no café da manhã e no almoço ainda não sente fome, então, esse emagrecimento acaba sendo um efeito secundário”,
– explicou o diretor-geral da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), César Neves.

O uso desse medicamento, sem acompanhamento médico, por pessoas que não sejam obesas ou diabéticas, pode gerar problemas de saúde, como, por exemplo, picos de hipoglicemia, que é caracterizado pela queda rápida e acentuada dos níveis de açúcar no sangue, resultando em tremores, tontura, sudorese, fome e confusão mental, e ainda, em casos mais graves chegar a uma pancreatite, que é a inflamação do pâncreas, um órgão essencial para a digestão e produção de hormônios.

Descarte das canetas emagrecedoras 

Uso de canetas emagrecedoras exige o cuidado com a indicação correta e descarte adequado dos objetos
Canetas emagrecedoras exigem cautela (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

O descarte das canetas com agulhas também deve ser feito de forma adequada. Diferente de uma cartela de comprimidos comum, as canetas emagrecedoras são formadas por componentes eletrônicos, plásticos e resíduo biológico perfurocortante. Jogar esse material no lixo comum ou no reciclável é um erro grave.

Se perfurarem um trabalhador da limpeza urbana, as agulhas podem transmitir doenças. Já o resíduo de medicamento que fica no dispositivo pode contaminar o solo e a água. 

Para o descarte correto de medicamentos injetáveis, seja a caneta emagrecedora, seringas e agulhas, é necessário utilizar recipientes plásticos rígidos, com tampa rosqueada, como embalagem de amaciante. 

Quando o recipiente atingir 2/3 da capacidade, ele deve ser fechado e identificado com a frase “resíduo perfurocortante”, e ser levado até uma UBS, que funciona como ponto de entrega voluntária.

Tratamento para obesidade no SUS 

No Paraná, é possível receber atendimento e tratamento gratuitos para a obesidade na saúde pública.

“A orientação é para que a pessoa procure atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada para o atendimento, que tem foco em intervenções de longo prazo e modificação sustentável do estilo de vida, para manutenção da saúde e não apenas perda de peso. O tratamento é conduzido por diversos profissionais, podendo incluir médicos, enfermeiros, nutricionistas, profissionais de educação física, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Casos mais graves recebem acompanhamento conjunto entre a Atenção Primária à Saúde e a Atenção Ambulatorial Especializada. Quando necessário, o paciente é encaminhado para hospitais habilitados para tratamento cirúrgico, seguindo critérios técnicos”,
– disse Neves.

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