Sequelas da Covid podem confundir diagnóstico em pacientes reumáticos, alerta estudo brasileiro

Pesquisa com mais de 600 pessoas aponta aumento de fadiga, ansiedade e depressão mesmo sem piora da doença

Redação com assessoria

Pacientes com doenças reumáticas autoimunes que tiveram Covid-19 podem apresentar sintomas como fadiga intensa, ansiedade, depressão e estresse sem que haja, necessariamente, agravamento da doença de base. O alerta é de um estudo brasileiro conduzido pela Universidade de Brasília e publicado na revista científica Advances in Rheumatology.

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Estudo alerta que sintomas após Covid podem ser confundidos com agravamento de doenças reumáticas e exigem avaliação cuidadosa. Foto ilustrativa: Freepik.

A pesquisa acompanhou mais de 600 pacientes em 13 centros universitários do país e identificou que aqueles que contraíram Covid-19 relataram piora importante no bem-estar físico e emocional, mesmo quando exames não indicavam aumento da atividade da doença reumática.

Segundo a reumatologista Licia Maria Henrique da Mota, professora da UnB e médica do Hospital Universitário de Brasília, a situação pode gerar confusão no diagnóstico.

“As sequelas da Covid-19, como fadiga, depressão, ansiedade e estresse, são tão intensas que podem ser facilmente confundidas com um agravamento da própria doença reumática. Isso cria um dilema para os médicos e um sofrimento desnecessário para os pacientes”

explica a médica.

O estudo, chamado ReumaCoV Brasil, comparou dois grupos: pessoas com doenças reumáticas inflamatórias — como artrite reumatoide e lúpus — que tiveram Covid-19 e pacientes com as mesmas condições que não foram infectados.

Por que isso preocupa médicos e pacientes

Os pesquisadores apontam que a confusão entre sintomas emocionais pós-Covid e atividade da doença pode levar a erros como diagnósticos incorretos de reativação da doença reumática e uso desnecessário de medicamentos imunossupressores. Além disso, pode haver a piora da qualidade de vida por falta de tratamento adequado para saúde mental e a sobrecarga do sistema de saúde com terapias de alto custo.

Para os especialistas, a principal recomendação é uma avaliação mais ampla do paciente, considerando não apenas exames físicos, mas também o impacto psicológico e a fadiga pós-viral.

“Ao cuidar de pacientes com condições crônicas, especialmente após a pandemia, é fundamental adotar um olhar integral, que considere também o impacto emocional”

reforça a médica.

Veja quando procurar ajuda

Pacientes reumáticos que tiveram Covid devem buscar orientação médica se apresentarem:

O acompanhamento multidisciplinar, com suporte psicológico quando necessário, pode melhorar significativamente a qualidade de vida.

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