Sem citar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou um plano de imunização contra a Covid-19 nesta semana, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta terça-feira (8) que cabe ao Ministério da Saúde planejar a vacinação no país. Ele disse que não se pode “dividir o Brasil em um momento difícil”.

A declaração foi dada após lançamento de programa para capacitação de agentes de saúde, no Palácio do Planalto.

“O Brasil é um país continental, lar de milhões de brasileiros e brasileiras cheios de sonhos, projetos e esperança. E esperança é tudo que todos os brasileiros desejam nesse momento uma vacina que seja, comprovadamente segura, eficaz e com total responsabilidade com você e com a sua família”, disse. “Compete ao Ministério da Saúde realizar o planejamento e a vacinação em todo o Brasil. Não podemos dividir o Brasil num momento difícil que todos nós passamos.”

Foto: Carolina Antunes/PR

No pronunciamento, Pazuello disse também que foi assinado o termo de intenção de compra do imunizante da Pfizer e que previsão é que as doses comecem a ser entregues em janeiro.

Segundo ministro, o país terá ao menos 300 milhões de doses de vacinas a partir do ano que vem. São 100 milhões da AstraZeneca/Universidade de Oxford, 160 milhões dessa vacina a serem produzidas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e mais 40 milhões do consórcio internacional Covax Facility.

Mais cedo, governadores que se encontraram com Pazuello relataram que o governo federal deve apresentar nesta quarta-feira (9) um plano logístico para a vacinação da população contra a Covid-19. O compromisso assumido pelo ministro é de mostrar como será feita a distribuição das doses em todo o território nacional.

Segundo publicou o jornal Folha de S.Paulo, a ideia é que o ministro detalhe os preparativos para a compra de seringas e de ultrarrefrigeradores, necessários para o armazenamento de imunizantes como o da Pfizer e da Moderna em temperaturas baixíssimas.

Pazuello afirmou em reunião virtual com governadores de estado que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve demorar 60 dias para aprovar o uso de qualquer vacina contra a Covid-19.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No encontro, que foi tenso, ele bateu boca com Doria sobre a falta de interesse do governo federal na Coronavac. O imunizante chinês será produzido pelo Instituto Butantan.

No Congresso, em audiência que debate as medidas de enfrentamento à Covid, o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, disse que é possível começar a vacinação quase imediatamente após um registro emergencial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Murillo disse acreditar que, dependendo do avanço das conversas e das análises pelos órgãos brasileiros, o processo de vacinação possa ter início em janeiro. Também afirmou que a empresa tem contêineres portáteis capazes de transportar as vacinas na temperatura necessária (-70ºC) e armazená-las por até 30 dias.

O ministro participou de evento sobre a capitação de agentes no Palácio do Planalto. A meta do governo é capacitar em 35 semanas cerca de 381 mil profissionais de saúde em todo o país. O esforço é para ampliar o serviço de atenção primária na redução dos indicadores de doenças de baixa complexidade.

“Isso tem como objetivo antecipar a identificação de doenças, evitando que elas se agravem”, disse Pazuello. “Esse programa permite levar o SUS [Sistema Único de Saúde] às casas das pessoas, às famílias brasileiras”, afirmou.