O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, disse nesta quinta-feira (17) que críticas sobre atrasos na organização de ações para vacinação são “terrorismo” e fez um apelo para que estados e municípios não comprem vacinas contra a Covid-19 por conta própria.

Segundo Franco, a pasta só conseguirá garantir o início da vacinação com grupos de maior risco em todo o país caso a compra e oferta ocorra de forma centralizada.

“Só conseguiremos atender a [ideia de] equidade, começando com os grupos prioritários, se fizermos isso junto. Se algum estado ou município comprar vacina e iniciar a vacinação, não vamos ter a equidade preconizada no SUS nem vamos oferecer a universalidade prevista no SUS”, disse. “Peço a todos que atravessemos isso de mãos dadas como temos feito até agora.”

A declaração ocorreu em reunião com representantes dos secretários municipais e estaduais de saúde após dias de críticas de governadores, que reclamam de demora do governo federal em negociações sobre a compra de vacinas.

O principal embate ocorre em relação à Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Nesta quarta (16), o governo voltou a incluir a vacina no plano nacional de vacinação.

Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), já havia anunciado para 25 de janeiro o início da vacinação no estado com a vacina. Outros governadores e prefeitos também passaram a afirmar que negociavam a compra de doses.

Em reação, o secretário-executivo do Ministério da Saúde gravou um vídeo à época em que citava Doria e afirmava que a previsão da campanha no estado era “devaneio”.

Já nesta quinta, Franco mudou o tom e pediu união. “Independente de decisões judiciais ou legislações estabelecidas doravante, clamo a todos a união e trabalho numa só direção para imunizar da melhor forma, atendendo os princípios do SUS”, disse.

Horas antes, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse em audiência no Senado que a pasta tinha previsão de receber 24,7 milhões de doses a partir de janeiro, considerando 15 milhões da vacina da AstraZeneca, cerca de 9 milhões do Butantan e outras 500 mil da Pfizer.

Sem citar prazos, ele também afirmou que a pasta estava “partindo para um contrato” com o instituto paulista.

No encontro com os secretários, Franco também rebateu críticas sobre atrasos da pasta na compra de seringas necessárias para aplicar a vacinação.

“Às vezes ficam fazendo terrorismo e jogo de palavras com relação à capacidade de atendimento”, afirmou. “É importante que todos entendamos que não teremos 300 milhões de doses ao mesmo tempo. Então não vamos precisar de 300 milhões de seringas ao mesmo tempo, no mês de janeiro, e a capacidade da indústria vai conseguir gradativamente atender nossas necessidades e é assim que tenho essa convicção”, disse.

Segundo ele, a previsão da pasta é que os contratos para aquisição sejam finalizados “nos primeiros dias de janeiro”.