A chamada vacina contra câncer da Rússia entrou para os assuntos mais pesquisados nesta sexta-feira (13), segundo dados do Google Trends. O aumento no interesse ocorre após a divulgação de que cientistas russos produziram lotes de teste de um imunizante terapêutico desenvolvido com tecnologia de mRNA e apoio de inteligência artificial.

Instituto Gamaleya produziu primeiros lotes da vacina
De acordo com o diretor do Instituto Gamaleya, Alexander Gintsburg, três lotes experimentais da vacina contra câncer da Rússia já foram produzidos em Moscou. A declaração foi dada em dezembro de 2025. As informações são do portal ND Mais.
Segundo o dirigente, o imunizante é terapêutico — ou seja, não tem foco na prevenção, mas no tratamento do câncer já diagnosticado. A proposta é utilizar tecnologia de mRNA combinada com inteligência artificial para desenvolver uma dose personalizada a partir do perfil genético do tumor de cada paciente.
Os lotes fabricados são considerados experimentais, embora tenham passado por testes de qualidade.
Como funciona a vacina contra câncer da Rússia?
Diferentemente das vacinas tradicionais, que previnem doenças infecciosas, a proposta desse tratamento é “treinar” o sistema imunológico para reconhecer e atacar células tumorais específicas.
O processo envolve a análise genética do tumor, desenvolvimento de mRNA personalizado, aplicação direcionada conforme as características do câncer e uso de inteligência artificial para cruzamento e interpretação de dados.
Ainda segundo as informações divulgadas, o Instituto Herzen, centro oncológico russo, teria obtido autorizações para atuar desde a etapa de diagnóstico até a aplicação do tratamento.
Vacinas autorizadas pelo governo russo
O Ministério da Saúde da Rússia autorizou duas tecnologias terapêuticas:
- NeoOncoVak – vacina de mRNA voltada ao tratamento de melanoma;
- Oncopept – vacina peptídica destinada a tumores malignos diversos.
Ambas são descritas como tratamentos individualizados, produzidos conforme o material genético do paciente.
Em que fase está o tratamento?
Os dados disponíveis indicam que estudos pré-clínicos teriam mostrado redução tumoral entre 60% e 80%, dependendo do perfil do paciente. Inicialmente, a expectativa era aplicar a tecnologia em casos de câncer colorretal.
No entanto, os lotes seguem em fase experimental. Até o momento, não foram detalhadas publicamente informações como cronograma de testes clínicos, números de participantes, critérios de inclusão e previsão de liberação ampla.
Ou seja, apesar da repercussão nas buscas online, o tratamento ainda não está disponível ao público em larga escala.
Histórico do Instituto Gamaleya
O Instituto Gamaleya ganhou notoriedade internacional ao desenvolver a Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19.
Além da tecnologia baseada em mRNA, a Rússia também conduz estudos com vírus oncolíticos — vírus modificados para atacar células cancerígenas — incluindo pesquisas voltadas ao tratamento de câncer cerebral.