A lesão grave no joelho do atacante Rodrygo, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, pegou o futebol brasileiro de surpresa nesta semana. O jogador sofreu rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco lateral do joelho direito, problema que deve deixá-lo fora da Copa do Mundo de 2026, marcada para junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México.

O diagnóstico foi confirmado pelo clube espanhol após exames realizados depois da partida contra o Getafe, pelo Campeonato Espanhol.
Segundo especialistas, trata-se de uma das lesões mais delicadas do futebol, principalmente para jogadores que dependem de velocidade, dribles e mudanças rápidas de direção.
O que é a lesão no ligamento cruzado anterior (LCA)
De acordo com o fisioterapeuta esportivo Alexandre Alcaide, que atua com atletas de alto rendimento, apenas a ruptura do ligamento cruzado anterior já exige um longo processo de recuperação.
“O LCA é responsável por dar estabilidade ao joelho, principalmente em movimentos de mudança de direção, parada brusca, dribles e chutes. Por isso é uma lesão muito comum no futebol”
explica o fisioterapeuta.
Mesmo quando ocorre de forma isolada, o tempo médio de recuperação costuma variar entre oito e nove meses. No caso de Rodrygo, porém, o cenário é mais complexo porque há também uma lesão no menisco.
“Quando o menisco também é afetado, o processo pode ser mais longo, porque ele funciona como estabilizador secundário do joelho”, afirma o especialista.
Como funciona a cirurgia do ligamento cruzado
O tratamento geralmente envolve cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado, com a utilização de um enxerto retirado de outro tendão do próprio corpo do atleta.
Os mais utilizados são o tendão patelar, os da coxa (semitendíneo e grácil) e o fibular.
Esse enxerto substitui o ligamento rompido e precisa passar por um processo chamado maturação, até se integrar completamente à articulação.
“Para que o novo ligamento se adapte ao joelho e recupere sua função de estabilidade, o tempo costuma variar entre 9 e 12 meses”
explica Alcaide.
Lesão no menisco mudou forma de tratamento
No passado, muitos atletas que sofriam lesões no menisco passavam por procedimentos de remoção da área lesionada. Hoje, a medicina esportiva prioriza a preservação da estrutura.
“A tendência atual é fazer uma sutura meniscal, para salvar o tecido. Isso ajuda a proteger o próprio ligamento cruzado e evita sobrecarga no joelho quando o atleta volta a jogar”, diz o fisioterapeuta.
Segundo ele, manter o menisco intacto melhora a estabilidade e reduz o risco de novas lesões no futuro.
Estilo de jogo pode aumentar tempo de recuperação
O perfil de jogo de Rodrygo também pode influenciar no prazo para voltar aos gramados. O atacante é conhecido por arrancadas rápidas, dribles curtos e mudanças bruscas de direção. Esses movimentos exigem muita estabilidade do joelho.
“Um jogador com esse tipo de característica geralmente precisa de uma reabilitação mais cuidadosa. Provavelmente o tempo de recuperação será superior aos nove meses”
afirma o especialista.
Além disso, estudos apontam que o retorno precoce pode aumentar o risco de uma nova ruptura. “Atletas que voltam antes de nove meses têm maior probabilidade de relesão. Por isso, cada caso precisa ser muito bem avaliado”, explica.
Casos parecidos: Neymar e Pedro
Lesões semelhantes já afastaram outros atacantes brasileiros dos gramados.
Um dos exemplos mais recentes é o de Neymar, que sofreu ruptura do ligamento cruzado e precisou de 12 a 13 meses para voltar a atuar.
Já o centroavante Pedro, do Flamengo, teve uma lesão isolada no ligamento, sem comprometimento do menisco, e conseguiu retornar em cerca de seis meses após um protocolo acelerado.
Segundo especialistas, a diferença acontece porque cada posição e estilo de jogo exigem demandas físicas diferentes do joelho.
Agora, o atacante deve iniciar o processo de cirurgia e reabilitação, que pode durar quase um ano.
📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Clique aqui!