A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” e a busca por soluções rápidas para perder peso levantam uma dúvida comum entre pacientes: é verdade que o peso volta depois? E a cirurgia bariátrica também pode ter reganho?

Segundo o cirurgião bariátrico e especialista em obesidade José Afonso Sallet, o primeiro ponto é entender que a obesidade não é uma questão estética, mas uma doença crônica.
“Trata-se de uma doença complexa e multifatorial. Por isso, falamos em tratamento, não em cura”
afirma o cirurgião.
Canetas emagrecedoras não significam milagre
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos que atuam por meio de hormônios intestinais e têm apresentado bons resultados na perda de peso e na melhora de doenças associadas, como diabetes e alterações no colesterol.
No entanto, o especialista alerta que o sucesso não depende apenas da medicação.
“Após cerca de um ano da interrupção do uso, mais de 80% dos pacientes recuperam o peso que tinham antes do tratamento. Isso reforça que não existe milagre”
destaca o médico.
De acordo com ele, assim como ocorre com outras doenças crônicas, o tratamento da obesidade exige acompanhamento médico contínuo e mudanças reais no estilo de vida. Entre os pilares estão:
- reorganização da rotina;
- prática regular de atividade física;
- plano alimentar equilibrado;
- suporte psicológico, quando necessário.
Sem essas mudanças, a tendência é que os resultados não se mantenham a longo prazo.
Cirurgia bariátrica também tem chance de reganho
No caso da cirurgia bariátrica, o reganho de peso também pode acontecer, mas em menor proporção.
Segundo o médico, considera-se reganho quando o paciente recupera mais de 20% a 30% do menor peso atingido após o procedimento, especialmente se houver retorno de doenças metabólicas.
Esse cenário ocorre em cerca de 5% a 10% dos pacientes, geralmente entre cinco e dez anos depois da cirurgia.
“A cirurgia é extremamente eficaz, mas não é mágica. O verdadeiro protagonista do processo é o paciente, que precisa manter o compromisso com novos hábitos e com o acompanhamento da equipe de saúde”, reforça.
Qual o primeiro passo para quem quer emagrecer?
Para quem pretende iniciar o processo de emagrecimento em 2026, a principal orientação é procurar avaliação médica especializada.
O ideal, segundo o especialista, é contar com uma equipe transdisciplinar formada por endocrinologista, cirurgião bariátrico, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física.
O objetivo não é apenas perder peso, mas manter os resultados ao longo dos anos — reduzindo riscos de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
A recomendação final é para que, antes de apostar em soluções rápidas, é fundamental entender que o tratamento da obesidade é contínuo e exige acompanhamento profissional.