A primeira menstruação costuma vir acompanhada de dúvidas práticas e emocionais entre as crianças/adolescentes e os responsáveis. O período, chamado de menarca, costuma acontecer entre os 10 e 16 anos de idade.

Nessa época muitas famílias percebem que, além do acompanhamento pediátrico, é recomendado iniciar gradualmente a transição para o ginecologista, especialista que vai orientar sobre a saúde mental e reprodutiva ao longo da adolescência.
Quando ir ao ginecologista?
De acordo com o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a primeira consulta de saúde reprodutiva deve acontecer entre 13 e 15 anos, mesmo na ausência de queixas, com foco em orientação, prevenção e acolhimento.
Na maioria das vezes a consulta não exige exame ginecológico interno, conforme explica o Dr. Rodrigo Nogueira, ginecologista e obstetra do Grupo Santa Joana e responsável técnico do Hospital e Maternidade Santa Maria.
“A consulta inicial não precisa ser um momento de medo. É um espaço de escuta e orientação, para que a adolescente compreenda o próprio corpo, tire dúvidas e aprenda a reconhecer sinais de alerta”.
Nos primeiros anos após a menarca, é comum que o ciclo ainda não seja regular. Nessa fase inicial, os intervalos podem variar e frequentemente ficam entre 21 e 45 dias, conforme o organismo amadurece.
A cólica pode aparecer, de forma leve a moderada, assim como pequenas oscilações no fluxo. É importante conversar sobre absorvente, cuidados com a higiene e bem-estar de forma prévia.
“Quando a informação chega antes da primeira menstruação, a menina costuma viver esse marco com mais tranquilidade, e a família consegue apoiar sem tabus, com naturalidade”.
Quando se preocupar com a primeira menstruação
Por mais que diferenças sejam esperadas para cada uma das adolescentes, alguns sinais merecem avaliação médica mais cedo, com o ginecologista ou com o pediatra, são eles:
- Ausência da menstruação após os 15 anos
- Sangramento excessivo, que exige troca do absorvente a cada duas horas
- Menstruação que dura mais que sete dias
- Dor incapacitante
- Sintomas que impactam o sono e a rotina
Nesses casos, a consulta deixa de ser apenas educativa e passa a ser uma oportunidade de investigar e tratar desconfortos que, muitas vezes, são normalizados sem necessidade.“O recado é não minimizar o sofrimento. Se a dor derruba, se o fluxo limita o dia a dia ou se há sinais fora do padrão, vale procurar avaliação. Quanto mais cedo, melhor”,
– orienta Dr. Rodrigo.
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