Frieza e prazer estão entre os possíveis sentimentos dos assassinos ao puxar um gatilho, crime com alta incidência no Paraná.
Apenas em Curitiba, entre janeiro e outubro de 2025, foram registradas 133 mortes violentas, sendo 118 homicídios com a intenção de matar, sete feminicídios, cinco roubos seguidos de morte e três vítimas de lesão corporal grave, que levaram ao óbito, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp).
Na capital, os bairros com maiores índices de assassinatos foram Tatuquara, Cidade Industrial de Curitiba, Centro, Parolin e Sítio Cercado. Em todo o Paraná, o número de crimes contra a vida no mesmo período chega a 964, uma média de três a cada dia.
Mas o que acontece com o cérebro do criminoso quanto está cometendo um homicídio?
O psiquiatra, diretor clínico e coordenador da residência e pós-graduação do Hospital Heidelberg, Roberto Ratzke, explica que o cérebro entra em um estado de alerta e que as memórias podem ser afetadas.
“É uma reação imediata de alerta da amígdala cerebral. Ela dispara e estimula o hipotálamo, que vai estimular a hipófise que, por sua vez, produzirá hormônios avisando a supra renal a produzir adrenalina e cortisol. Esses hormônios do estresse vão causar atrofia em regiões cerebrais, como o hipocampo, responsável pela consolidação das memórias de curto prazo”.
Assassinos em série podem se habituar a cometer o crime e deixar de entrar em estado de alerta.
“Pode haver uma habituação, a pessoa parar de sentir que está matando alguém. Existe uma objetificação da vítima, o assassinato pode se tornar uma rotina, sem alterações neuroendocrinológicas”.
Matar e presenciar um assassinato são situações de risco. O criminoso pode ser flagrado, identificado e punido conforme a legislação vigente, com penas que se iniciam em seis anos de prisão.
Já quem presencia o crime ser cometido contra outra pessoa se encontra em uma situação de vulnerabilidade pelo risco de se tornar nova vítima de assassinato ou sofrer ameaças.
Nessas situações, o cérebro pode ter três tipos de resposta, conforme explica Ratzke.
“Para quem vê o crime a fuga é a primeira resposta, quando a pessoa sai correndo e se afasta da situação. A segunda atitude é interferir na tentativa de assassinato lutando com o assassino. A terceira é ficar imóvel, sem saber o que fazer, ter consciência se afastando do momento com um fenômeno chamado dissociação, que pode interferir na memória do ocorrido”.
Já, o assassino, pode presenciar até sensações de prazer ao cometer o crime.
“Se a pessoa assassinar alguém e ela ter traços de psicopatia, pode não sentir o que foi descrito acima, ter frieza, ausência de empatia e até prazer, em algumas circunstâncias, com a violência”.