‘Matou a sangue frio’: psiquiatra explica o que acontece com o cérebro de assassinos na hora do crime 

No Paraná, o número de crimes contra a vida em dez meses chega a 964, uma média de três a cada dia

Andreza Rossini

Frieza e prazer estão entre os possíveis sentimentos dos assassinos ao puxar um gatilho, crime com alta incidência no Paraná.

Apenas em Curitiba, entre janeiro e outubro de 2025, foram registradas 133 mortes violentas, sendo 118 homicídios com a intenção de matar, sete feminicídios, cinco roubos seguidos de morte e três vítimas de lesão corporal grave, que levaram ao óbito, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp). 

Assassinatos frequentes podem tornar o crime ‘banal’ para o cérebro. (Foto ilustrativa: Freepik)

Na capital, os bairros com maiores índices de assassinatos foram Tatuquara, Cidade Industrial de Curitiba, Centro, Parolin e Sítio Cercado. Em todo o Paraná, o número de crimes contra a vida no mesmo período chega a 964, uma média de três a cada dia.

Mas o que acontece com o cérebro do criminoso quanto está cometendo um homicídio? 

O psiquiatra, diretor clínico e coordenador da residência e pós-graduação do Hospital Heidelberg, Roberto Ratzke, explica que o cérebro entra em um estado de alerta e que as memórias podem ser afetadas. 

“É uma reação imediata de alerta da amígdala cerebral. Ela dispara e estimula o hipotálamo, que vai estimular a hipófise que, por sua vez, produzirá hormônios avisando a supra renal a produzir adrenalina e cortisol. Esses hormônios do estresse vão causar atrofia em regiões cerebrais, como o hipocampo, responsável pela consolidação das memórias de curto prazo”. 

Assassinos em série podem se habituar a cometer o crime e deixar de entrar em estado de alerta. 

“Pode haver uma habituação, a pessoa parar de sentir que está matando alguém. Existe uma objetificação da vítima, o assassinato pode se tornar uma rotina, sem alterações neuroendocrinológicas”. 

Matar e presenciar um assassinato são situações de risco. O criminoso pode ser flagrado, identificado e punido conforme a legislação vigente, com penas que se iniciam em seis anos de prisão. 

Já quem presencia o crime ser cometido contra outra pessoa se encontra em uma situação de vulnerabilidade pelo risco de se tornar nova vítima de assassinato ou sofrer ameaças. 

Nessas situações, o cérebro pode ter três tipos de resposta, conforme explica Ratzke. 

“Para quem vê o crime a fuga é a primeira resposta, quando a pessoa sai correndo e se afasta da situação. A segunda atitude é interferir na tentativa de assassinato lutando com o assassino. A terceira é ficar imóvel, sem saber o que fazer, ter consciência se afastando do momento com um fenômeno chamado dissociação, que pode interferir na memória do ocorrido”. 

Já, o assassino, pode presenciar até sensações de prazer ao cometer o crime. 

“Se a pessoa assassinar alguém e ela ter traços de psicopatia, pode não sentir o que foi descrito acima, ter frieza, ausência de empatia e até prazer, em algumas circunstâncias, com a violência”. 

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