A América do Sul alcançou uma prevalência média de fome de 3,8%, com redução de quase um ponto percentual entre 2022 e 2024, de acordo com o novo Panorama Regional da Segurança Alimentar e Nutricional: Estatísticas e Tendências, divulgado pela Organização Panamericana de Saúde, nesta sexta-feira (27).

O levantamento aponta a redução da subnutrição pelo quarto ano consecutivo na América Latina e no Caribe, condição que afetou 5,1% da população em 2024, abaixo do pico de 6,1%, registrado em 2020: o que representa que 6,2 milhões de pessoas deixaram de enfrentar a fome na região, neste período.
O Brasil e outros três países da região (Costa Rica, Guiana e Uruguai) estão com prevalência de fome inferior a 2,5%, Chile e México estão próximos deste limite e outros cinco aparecem com índices abaixo de 5% (Argentina, Barbados, Colômbia, Dominica e República Dominicana)
Insegurança alimentar
A insegurança alimentar grave ou moderada afetou 25,2% da população da região em 2024. Esse percentual está abaixo da estimativa global de 28% e também demonstra queda contínua desde o pico de 33,7% em 2020. No entanto, a desigualdade de gênero permanece significativa, com prevalência 5,3 pontos percentuais maior entre as mulheres do que entre os homens.
O relatório também aponta que mais de 33 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome, 167 milhões vivem em situação de insegurança alimentar, 181,9 milhões não podem arcar com o custo de uma alimentação saudável, e 141 milhões de adultos vivem com obesidade.
Nutrição e alimentação saudável

Em 2024, o custo de uma alimentação saudável aumentou 3,8% na América Latina e no Caribe, tornando-a a região com o custo mais alto do mundo, estimado em US$ 5,16 por dia, ajustado pela paridade do poder de compra.
“A região conseguiu reduzir a prevalência de fome e de insegurança alimentar, mas persistem desigualdades significativas no acesso e na acessibilidade econômica a alimentos e dietas saudáveis. Além disso, precisamos enfrentar, por meio de uma abordagem abrangente e intersetorial, os níveis crescentes de sobrepeso e obesidade”, afirmou o diretor-geral Assistente e representante regional da FAO, Rene Orellana Halkyer.
Em 2024, 15,4 milhões de pessoas a mais puderam arcar com o custo de uma alimentação saudável em comparação com 2021, quando o número de pessoas que não podiam pagar por ela atingiu o pico de 197,3 milhões.
Ainda assim, 27,4% da população da América Latina e do Caribe, 181,9 milhões de pessoas, não puderam arcar com uma alimentação saudável em 2024.
“Embora a segurança alimentar apresente avanços na América Latina e no Caribe, o Panorama Regional 2025 expõe profundas desigualdades entre sub-regiões, dentro dos países e entre mulheres e homens. Não podemos falar em progresso real enquanto as desigualdades continuam deixando milhões para trás, especialmente as mulheres”, afirmou a Diretora Regional do Programa Mundial de Alimentos, Lena Savelli.
Os indicadores de nutrição mostram avanços desiguais. Por exemplo, a anemia afetou 19,9% das mulheres de 15 a 49 anos na região em 2023. Embora essa prevalência permaneça consideravelmente abaixo da estimativa global (30,7%), as taxas de anemia vêm aumentando de forma constante na região desde 2014.
Ao mesmo tempo, a obesidade entre adultos na região dobrou desde 2000, alcançando 29,9% em 2022 — quase o dobro da estimativa global de 15,8%.
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