Pacientes são contaminados com HIV após transplante de órgãos no RJ; caso é inédito

Caso foi descoberto após um paciente transplantado procurar um hospital com sintomas neurológicos; secretaria classifica o caso como 'inadmissível'

Guilherme Lara da Rosa

Seis pacientes foram contaminados com HIV após serem submetidos a transplantes de órgãos no Rio de Janeiro. Os casos, que são inéditos no País, foram revelados nesta sexta-feira (11) pela BandNews FM e confirmados pela Banda B junto à Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ).

Em nota, Secretaria Estadual de Saúde do Rio informou que considera o caso como “inadmissível”, e uma sindicância foi instaurada para “identificar e punir os responsáveis”. O caso também é apurado pela Polícia Civil e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

Imagem meramente ilustrativa – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

O erro teria sido cometido pelo PCS LAB, laboratório situado em Nova Iguaçu e contratado em caráter emergencial pela secretaria para realizar exames nos doadores. Os testes, contudo, apresentaram resultados “falso negativo”.

O caso foi descoberto após um paciente transplantado procurar um hospital, em 10 de setembro, com sintomas neurológicos. Após os exames, ele testou positivo para HIV. Ele não tinha o vírus antes do transplante. Amostras dos órgãos doados pela mesma pessoa foram analisadas e outros dois casos foram confirmados, segundo a BandNews FM.

O paciente que procurou o hospital recebeu um novo coração em janeiro deste ano. Depois disso, novos casos foram descobertos pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, totalizando seis.

A Anvisa esteve no laboratório responsável pelas análises e descobriu que a unidade não tinha kits para a realização de exames de sangue nem apresentou documentos para comprovar a compra dos itens. O laboratório foi interditado.

A secretaria informou à Banda B ainda que está rastreando amostras de sangues para reexaminá-las.

O que diz a pasta

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) considera o caso inadmissível. Uma comissão multidisciplinar foi criada para acolher os pacientes afetados e, imediatamente, foram tomadas medidas para garantir a segurança dos transplantados.

O laboratório privado, contratado por licitação pela Fundação Saúde para atender o programa de transplantes, teve o serviço suspenso logo após a ciência do caso e foi interditado cautelarmente. Com isso, os exames passaram a ser realizados pelo Hemorio.

A Secretaria está realizando um rastreio com a reavaliação de todas as amostras de sangue armazenadas dos doadores, a partir de dezembro de 2023, data da contratação do laboratório.

Uma sindicância foi instaurada para identificar e punir os responsáveis. Por necessidade de preservação das identidades dos doadores e transplantados, bem como do encaminhamento da sindicância, não serão divulgados detalhes das circunstâncias.

Esta é uma situação sem precedentes. O serviço de transplantes no estado do Rio de Janeiro sempre realizou um trabalho de excelência e, desde 2006, salvou as vidas de mais de 16 mil pessoas.”

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