A vida do agrônomo Caio Henrique Claudino, de 32 anos, sofreu uma reviravolta em janeiro de 2022, quando foi diagnosticado com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), a forma da doença que engloba cerca de 85% dos casos. Se antes estava habituado a jogar futebol com amigos e andar dezenas de quilômetros em lavouras de Maringá, no norte do Paraná, hoje é praticamente impossível realizar atividades sem sentir fortes dores.

Fernanda Bertola, que acompanha a evolução da doença do namorado desde o início, afirmou que a esclerose deu alguns sinais em 2020, os quais chegaram a ser confundidos com outras patologias. “O Caio tinha alguns sintomas que não dava muita importância porque acreditava ser uma pequena hérnia de disco na lombar. Ele sentia fraqueza nas pernas e começou a apresentar dificuldades para jogar futebol”, relembrou a jornalista.

Paciente do Paraná precisa de R$ 500 mil para controlar esclerose múltipla e pede ajuda
Caio e Fernanda – Foto: Reprodução/Instagram

Pouco tempo depois, o casal decidiu procurar atendimento médico a fim de buscar entender o sintomas. Em novembro de 2021, após diagnósticos equivocados, um neurocirurgião foi consultado e a hipótese de Caio ter uma doença neurológica foi levantada pelo profissional. Depois de ser submetido a vários exames, entre eles a ressonância, o agrônomo descobriu que era portador da EMRR.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune crônica provocada por mecanismos inflamatórios e degenerativos que comprometem a bainha de mielina que revestem os neurônios das substâncias branca e cinzenta do sistema nervoso central, de acordo com o Hospital Albert Einstein, onde Caio pretende realizar o transplante com células-tronco (entenda mais abaixo).

“Foi um choque. Quando peguei o resultado do exame e houve a confirmação do diagnóstico, entrei em negação”, disse Fernanda, que relembrou a orientação de o namorado dar início a um tratamento com medicamentos de baixa eficácia.

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Foto: Reprodução/Instagram

A terapia com medicamentos utilizada pelo agrônomo inicialmente, contudo, não obteve os resultados necessários. Caio, então, passou a tratar os sintomas crônicos da doença em vez de tentar interromper a evolução da esclerose. “Depois disso, em janeiro de 2022, procurei por especialistas na internet e encontramos um em São Paulo. Ele pediu novas ressonâncias e descobriu que o Caio tem uma doença muito agressiva”, completou ela.

A saída apresentada pelo médico Rodrigo Barbosa Thomaz, que é coordenador do Centro de Esclerose Múltipla – Doenças Desmielinizantes no Hospital Israelita Albert Einstein e do Centro de Terapia Medicamentosa na unidade desde 2012, foi de que Caio passasse pelo transplante com células-tronco de medula óssea.

Em 2018, estudo conduzido por pesquisadores do Brasil, Suécia, Inglaterra e Estados Unidos concluiu que este tipo de transplante para combater a esclerose múltipla é mais eficaz do que a medicação disponível no mercado. O trabalho investigou 110 pacientes, sendo que 55 deles foram transplantados e a outra metade recebeu o tratamento convencional.

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Foto: Reprodução/Instagram

“Dos transplantados, apenas três (6%) reativaram a doença após o transplante. No outro grupo, tratado com a medicação disponível no país, em 33 (60%)”, explicou a professora Maria Carolina de Oliveira, da Divisão de Imunologia Clínica do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de Universidade de São Paulo.

O transplante, porém, deve ser aplicado apenas aos pacientes que estejam na fase remissiva de surto da doença, cenário em que Caio se encaixa, segundo disse a namorada à Banda B. “O hospital de referência neste tipo de transplante é o [Israelita] Albert Einstein, mas não conseguimos fazer com que o procedimento fosse coberto pelo plano e tivemos de recorrer à vaquinha”, disse a jornalista.

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Foto: Divulgação/Hospital Israelista Albert Einsten

“Não dá mais para esperar. Dependendo do tempo que a pessoa convive com a doença, ela pode se tornar secundária progressiva [EMSP], fase em que não adianta mais fazer o transplante e que há poucas opções de medicamentos para controlar”, acrescentou. A esclerose múltipla citada por Fernanda é definida quando o paciente apresenta inicialmente surtos e remissões e, depois de algum tempo, a doença se torna progressiva e o paciente piora de forma lenta.

Hoje, Caio convive com mais de 40 sintomas da doença e corre o risco de perder os movimentos do corpo, como parar de andar, apresentar problemas de deglutição, incontinência urinária e fecal e até ficar acamado.

Na tentativa de interromper o avanço da esclerose múltipla e conseguir melhor qualidade de vida, Caio e a namorada se dedicam a divulgar campanhas nas redes sociais para arrecadar fundos que financiem o transplante com células-tronco (veja como contribuir abaixo).

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Sintomas da esclerose múltipla

A doença atinge geralmente pessoas jovens, em média entre 20 e 40 anos de idade, predominando entre as mulheres. No Brasil, estima-se que existam 40 mil casos da doença, uma prevalência média de 15 casos por 100.000 habitantes, conforme a ultima atualização da Federação Internacional de Esclerose Múltipla e Organização Mundial da Saúde publicadas em 2013.

Fadiga (fraqueza ou cansaço);
Sensitivas: parestesias (dormências ou formigamentos); nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face);
Visuais: neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho – escotoma – embaçamento ou perda visual), diplopia (visão dupla);
Motoras: perda da força muscular, dificuldade para andar, espasmos e rigidez muscular (espasticidade);
Ataxia: falta de coordenação dos movimentos ou para andar, tonturas e desequilíbrios;
Esfincterianas: dificuldade de controle da bexiga (retenção ou perda de urina) ou intestino;
Cognitivas: problemas de memória, de atenção, do processamento de informações (lentificação);
Mentais: alterações de humor, depressão e ansiedade.

Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein

Como ajudar

Para contribuir com o transplante, acesse a vaquinha online clicando aqui. Caio havia arrecadado R$ 132.474,44 até as 17h40 desta sexta-feira (24), ou seja, pouco mais de 26% da meta estabelecida.

As doações também podem ser feitas via transferência Pix a partir da chave (CPF): 074.497.659-69. O destinatário é Caio Henrique Claudino.

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