O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimento pedido informações ao ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, sobre os resultados de um estudo clínico do uso do vermífugo nitazoxanida na fase precoce da covid-19. O pedido do parlamentar foi protocolado na Câmara dos Deputados.

O ministério diz que os testes mostraram eficácia do produto, mas a pesquisa não foi divulgada. Na apresentação, em evento com o presidente Jair Bolsonaro e ministros do primeiro escalão, um gráfico usado no material promocional não tem base em dados reais. A fonte da animação de um gráfico em barras decrescente genérico é um banco de imagens.

“Bolsonaro age com irresponsabilidade e brinca com uma situação gravíssima: a maior pandemia do século. Pela comunidade científica, não há nenhuma comprovação da eficácia do vermífugo no combate à covid”, afirmou Rogério Correia.

Ministro Marcos Pontes – Foto: Alan Santos/PR

Segundo o governo, o estudo ainda será publicado em uma revista científica. “Infelizmente, nesse momento não poderei relatar mais detalhe sobre o estudo já que ele foi submetido à uma revista internacional e isso faria com que perdêssemos o ineditismo, limitando a publicação. Entretanto, no Brasil continuam morrendo em torno de 500 indivíduos por dia”, disse a coordenadora do estudo, Patrícia Rocco, ontem no Palácio do Planalto.

Rocco afirmou que a pesquisa foi submetida à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e também aos conselhos de ética de cada unidade hospitalar onde o estudo foi feito. No comunicado à imprensa do ministério é afirmado que as pesquisas com a nitazoxanida se basearam em um estudo do Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, organização vinculada ao ministério. Segundo o governo, a nitaxozanida foi o fármaco que apresentou a melhor capacidade de inibir a carga viral da covid-19 nesse estudo.

O deputado Rogério Correia é ainda autor de um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as recomendações do uso da hidroxicloroquina pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a pandemia. São necessárias 171 assinaturas de deputados para se abrir a comissão, mas até o momento o parlamentar conseguiu apenas 58 adesões.