A vacina Calixcoca, contra a dependência em crack e cocaína, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está em fase de testes em animais e apresenta resultados promissores. 

O que se sabe até agora sobre vacina contra dependência em crack cocaína chamada de Calixcoca
O imunizante está em fase de testes em animais e já recebeu diversos prêmios. (Foto ilustrativa: Freepik)

De acordo com a UFMG, o governo do estado já anunciou investimentos de R$ 18,8 milhões que vão viabilizar a fase de testes do imunizante em humanos, em data ainda não prevista. 

Diferente de outras vacinas, a Calixcoca é não proteica e tem como base a molécula V4N2 (calixareno). Ela induz o organismo a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, o que impede a entrada da substância no cérebro e bloqueia seus efeitos. 

Os estudos pré-clínicos em ratos confirmaram a produção de anticorpos, o bloqueio da passagem da droga para o sistema nervoso central, a redução de abortos espontâneos em fêmeas prenhes expostas à droga e o nascimento de filhotes mais saudáveis e resistentes.

A estimativa é que 20 milhões de pessoas em todo o mundo sejam usuárias regulares de cocaína ou crack e que, destas, 25% desenvolvem dependências ou transtornos relacionados. 

A pesquisa já recebeu prêmios nacionais e internacionais.  O aporte do governo de Minas Gerais no desenvolvimento da Calixcoca é de R$ 18.844.168,81, em parcelas de R$ 14,56 milhões, repassados em 2024, R$ 1,6 milhão previsto para 2025, R$ 2,5 milhões previstos para 2026 e R$ 94 mil previstos para 2027. Por meio de chamadas públicas da Fapemig, outros R$ 500 mil já foram investidos na pesquisa.

Testes antes dos humanos 

O professor Ângelo de Fátima, do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UFMG, explica que o processo para construir a molécula V4N2 e validar sua síntese levou quatro anos, e a formulação feita para atender ao regulamento da Anvisa manteve a eficácia observada inicialmente. 

Em entrevista à imprensa, o pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Fernando Reis, explicou que toda pesquisa tem resultado incerto e que só uma parte pequena das vacinas passa da fase em que está a Calixcoca para a seguinte.

“Esperamos ter sucesso na fase pré-clínica para avançar às fases de pesquisa clínica. A previsão inicial é fazer essa transição em um prazo de dois a quatro anos, a depender dos resultados. Estamos caminhando a passos firmes para atingirmos o ponto de pleitear autorização para os estudos clínicos”.

O professor anunciou também que outra molécula desenvolvida pelo grupo de pesquisa para o combate a dependência de cocaína oferece indícios de produção ainda mais factível.

Os pesquisadores da UFMG iniciaram parceria com a Universidade de Washington (EUA) para o combate a metanfetaminas e estão trabalhando também em direção a uma vacina bivalente para o crack e a nicotina, duas drogas fumadas. Ângelo de Fátima ressaltou que todas essas pesquisas têm a participação de dezenas de alunos.

“Temos o forte compromisso de seguir formando recursos humanos”, afirmou.

Atualmente, é avaliado se a vacina poderá ser armazenada em temperatura ambiente, o que facilitaria o transporte em longas distâncias.