“Os números oficiais dão conta apenas dos casos mais graves; são apenas a ponta do iceberg que precisamos conhecer para combater a covid-19”, afirmou o coordenador do estudo, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade de Pelotas, que também é responsável pelo estudo nacional. “Para tomar decisões em saúde, sobre quantos leitos, testes ou respiradores precisamos, por exemplo, temos que saber como a doença está se comportando em toda a sociedade.”

O objetivo é estimar o porcentual de gaúchos com anticorpos, avaliar a velocidade da expansão da infecção, determinar o porcentual de infecções assintomáticas e obter cálculos mais precisos de letalidade.
“Hoje temos uma fotografia da situação da epidemia no estado”, comparou Hallal. “Ao fim do estudo, esperamos ter um filme.”
Do total de 4.189 testes feitos no estado, dois deram resultado positivo para a presença de anticorpos. Isso significa que aproximadamente um em cada mil habitantes do estado tiveram a infecção, o que equivaleria a um total de 5.650 em todo o estado; número 14,7 vezes maior que os 384 confirmados oficialmente naquele período.
A tendência é que este número aumente nas próximas coletas, mas a velocidade dessa expansão vai depender da adesão da população às medidas de isolamento, segundo Hallal.
O levantamento mostrou que, por enquanto, os gaúchos estão cumprindo bem as medidas: aproximadamente 80% da população afirmou que está saindo de casa apenas para atividades essenciais (58,3%) ou que fica em casa o tempo inteiro (21,1%).