Um estudo internacional trouxe novos sinais de avanço no tratamento do câncer de pâncreas — um dos mais agressivos e difíceis de diagnosticar. Pesquisadores identificaram uma substância experimental que, combinada à quimioterapia, pode aumentar a sobrevida de pacientes, inclusive em casos avançados da doença.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e repercutidos pelo portal italiano La Repubblica. Apesar do otimismo, especialistas reforçam que ainda são necessários estudos mais amplos antes de qualquer aplicação em larga escala.
Estudo aponta aumento na sobrevida
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Northwestern University, nos Estados Unidos, e envolveu 233 pacientes com câncer de pâncreas metastático, em 60 centros de seis países da América do Norte e Europa.
Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas quimioterapia padrão, enquanto o outro foi tratado com a mesma quimioterapia associada a uma substância experimental chamada elraglusib.
Após um ano, 44% dos pacientes que receberam a combinação estavam vivos — o dobro do grupo tratado apenas com quimioterapia, que registrou 22%. Segundo os dados, o novo medicamento reduziu o risco de morte em cerca de 38%.
Outro dado considerado relevante é que 13% dos pacientes tratados com a nova substância chegaram a dois anos de sobrevida. No grupo de controle, nenhum paciente atingiu esse tempo.
Em média, a sobrevida passou de 7,2 meses, com o tratamento convencional, para 10,1 meses com a terapia combinada.
Como a substância age no organismo
O diferencial do elraglusib está na forma como atua no tumor. O câncer de pâncreas é conhecido por criar uma espécie de “barreira protetora”, que dificulta a ação do sistema imunológico e favorece o crescimento da doença.
A nova substância atua justamente rompendo esse mecanismo de defesa. Ela bloqueia uma proteína chamada GSK-3 beta, que ajuda o tumor a se proteger e a crescer.
Com isso, o tratamento permite que o sistema imunológico volte a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Na prática, o tumor se torna mais vulnerável.
Especialistas pedem cautela
Apesar dos resultados considerados promissores, médicos alertam que o estudo ainda é de fase II — etapa intermediária da pesquisa clínica.
Isso significa que os dados precisam ser confirmados em estudos maiores, chamados de fase III, antes que o tratamento possa ser aprovado para uso amplo.
Especialistas destacam que, embora o ganho médio de sobrevida pareça pequeno, ele é significativo dentro do contexto do câncer de pâncreas, onde avanços costumam ser limitados.
Esperança para pacientes e famílias
O câncer de pâncreas é frequentemente chamado de “assassino silencioso” por apresentar poucos sintomas nas fases iniciais. Quando diagnosticado, muitas vezes já está em estágio avançado.
Nesse cenário,qualquer avanço que aumente o tempo de vida ou melhore a resposta ao tratamento é visto com esperança por médicos, pacientes e familiares.
Os pesquisadores afirmam que, se confirmados em estudos futuros, os resultados podem abrir caminho não apenas para novos tratamentos da doença, mas também para estratégias semelhantes em outros tipos de câncer.
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