Setembro Amarelo é o mês de conscientização e prevenção do suicídio a nível mundial. Com esse objetivo, o projeto ‘Cartas Amarelas’, que nasceu em 2017, existe para estimular a conversa sobre o assunto e trazer à mesa a preocupação com a sociedade que tem andado sob risco. Ideia que começou a partir da preocupação com dois pilares sobre a saúde mental em estado sensível: não falar sobre suicídio e falar errado.

 

Com cartas impressas em folha amarela de fontes renováveis, o projeto trazia cartas de pessoas que tinham tentado o suicídio para seu eu do passado, com objetivo de ajudar pessoas em mesma situação. Mas em seu quarto ano, diante da pandemia do coronavírus, foi preciso tomar outros rumos. Em meio a dúvidas de como a sociedade e empresas atuariam com base nos decretos, os voluntários, profissionais de Maringá e diversas outras partes do Brasil, seguiram com o planejamento, que incluía palestras e cursos presenciais em empresas, com foco na defesa e preservação da saúde mental de colaboradores e gestores.

Em junho, os voluntários organizadores decidiram suspender qualquer atividade presencial, tomando como viés a realização de ações virtuais e nas redes sociais.

“As cartas impressas ficam de lado neste momento. Vamos criar uma onda de saúde mental com as cartas em formato virtual. O Instagram também será fundamental, publicaremos posts com mensagens de apoio, vídeos com tradução em libras e realizaremos lives com profissionais que falarão sobre saúde mental”, explica Guilherme Morais, um dos idealizadores do projeto.

De acordo com a psicóloga responsável pelo projeto, Brenda Elisa, a atual situação do País é sensível e totalmente atípica, onde muitas pessoas estão passando por problemas, ora sem trabalho e até mesmo sem perspectiva de futuro.

“É crucial tratarmos da saúde mental dessas pessoas, abraçando suas dores e provocando uma onda de esperança. O objetivo do Cartas Amarelas é falar sobre saúde mental e, assim, o faremos, tomando medidas para que as mensagens ganhem ainda mais força. Também recebemos pedidos de ajuda no site, essas mensagens recebem outro tratamento. Os psicólogos voluntários conversam com essas pessoas. O direcionamento é encaminhar para entidades, como o Centro de Valorização da Vida (CVV) que atende pelo número 188”.

Convite

Toda mobilização do projeto acontece pelo site www.cartasamarelas.com.br. O site é fundamental para receber, gerir e distribuir as mensagens de apoio que são enviadas por pessoas comuns, pessoas que desejam alimentar a esperança e promover a saúde mental.

“Uma mensagem não assiste apenas uma pessoa. A mesma mensagem pode tocar a vida de dezenas de pessoas. O momento pede carinho, atenção, conforto. O Cartas Amarelas abraça esses propósitos. Qualquer pessoa que deseja promover o bem pode acessar o site e escrever uma mensagem de apoio. O canal é aberto. É para todos”, afirma Santiago Sipoli, que, junto com Guilherme, deu vida ao projeto.

Curadoria

Para evitar frases, palavras que sejam gatilhos, todas as cartas recebidas no site passam pela curadoria dos psicólogos voluntários. “Após aprovadas, as cartas são geradas, sem o nome de quem mandou a mensagem. A partir daí são distribuídas para empresas, entidades e instituições de ensino que apoiam o projeto”, afirma Brenda.

Ações

Os voluntários, ao longo de 2020, também buscaram empresas que pudessem contribuir para a realização do projeto. Todas as instituições envolvidas realizarão ações internas e digitais para seus públicos e/ou colaboradores, além de receberem palestras e treinamentos que evidenciam e valorizam a importância da saúde mental no trabalho.

O valor arrecadado será destinado ao Núcleo de Apoio a Vida de Maringá (NAVIMAR), mantenedor do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Maringá. Parte do dinheiro será utilizado na divulgação do projeto.

Sobre o projeto

O Cartas Amarelas surgiu em 2017 como uma campanha da Brazutopia de Setembro Amarelo e se tornou projeto em 2018, quando a paixão fez com que todo o trabalho voluntário crescesse.

Setembro Amarelo é o mês de conscientização e prevenção do suicídio a nível mundial. O Cartas Amarelas vem com a intenção de estimular a conversa sobre o assunto e trazer à mesa a preocupação com a sociedade que tem andado sob risco.