A paciente Angela Dias da Silva, de 49 anos, relata um abcesso após a aplicação de uma injeção de benzetacil na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sambaqui, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba.

Segundo a mulher, a aplicação foi feita no dia 27 de janeiro e as complicações começaram a aparecer após três dias. Nesta quarta-feira (25) a paciente relata que ainda sente dor no local e dificuldade para caminhar.
Com o auxílio da vizinha Eni Martins, Angela registrou nesta terça-feira (24) um Boletim de Ocorrência relacionado ao caso na Delegacia de Repressão Aos Crimes Contra a Saúde – DECRISA. Um exame pericial foi agendado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, para a próxima segunda-feira (02/03).
“Fui tomar a injeção e acho que ela errou na aplicação. A médica ainda tentou apertar, no seco, sem anestesia. Ela me mandou ir para a Unidade de Pronto Atendimento e eu fui”
– afirmou em vídeo publicado nas redes sociais de Rafael Perich.
Inflamação
A paciente tinha indicação de realizar o tratamento com seis injeções da medicação, tomou quatro e apresentou inflamação em um dos locais. O prontuário médico relata uma lesão de abscesso e diz que a mulher está impossibilitada de trabalhar devido à lesão.
“Eu não vou tomar as últimas duas porque eu sei que ela errou. No primeiro dia eu tive febre, dor, tomei o remédio que ela mandou tomar e estou tomando um antibiótico. O local está bem vermelho, no início saía pus com sangue, agora que ela mexeu ali, fez um buraquinho”.
Reações ao medicamento
Angela contou que pediu o acesso ao prontuário para ser encaminhada ao hospital em busca do tratamento para a inflamação.
“No UPA me deram dois remédios e me mandaram para casa, mas fui bem atendida lá. No posto estão só debochando de mim”.
A bula do medicamento informa que reações na pele são consideradas incomuns e envolvem erupções cutâneas; vermelhidão na pele, coceira, urticária. O documento não cita risco de infecções ou inflamações diretamente na pele.
O que diz a Prefeitura de Curitiba?
Procurada, a Prefeitura de Curitiba informou, por meio de nota da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que a paciente está sendo acompanhada pela unidade de saúde Sambaqui, com troca de curativo diariamente. Inclusive, o serviço do Saúde em Casa da SMS também passou a acompanhar o caso, realizando atendimentos diretamente na residência da paciente.
Conforme a SMS, a lesão está regredindo e encontra-se em processo de cicatrização. Segundo a nota, “até o momento, não há indícios de erros de aplicação da medicação. Todo procedimento invasivo traz risco de lesão. O risco pode ser agravado dependendo de condições crônicas prévias do paciente, processo de cicatrização individual, assim como os cuidados empregados em casa”.
A SMS esclareceu também que não há terceirização nas unidades de saúde de Curitiba. Os cerca de 10,8 mil profissionais da rede municipal são servidores com ingresso por concurso público ou empregados públicos contratados por processo seletivo via Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).
“A Feas é uma fundação pública, criada pela Lei Municipal nº 13.663/2010, que integra a administração pública indireta da Prefeitura e atua sob as diretrizes da SMS. Isso significa que a Feas não pode ser considerada terceirização, pois pertence ao próprio município”, conclui a nota.
Investigação
Além da Prefeitura de Curitiba, a Banda B também entrou em contato com a Polícia Civil, que confirmou que está investigando a denúncia. Segundo a polícia, prontuários médicos foram solicitados e deverão passar por análise pericial.