Joelma Marcondes e o marido chegaram ao Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), em Curitiba (PR), por volta das 20h desta quinta-feira (11). À meia-noite, o homem — que apresentava uma hemorragia no intestino  — ainda não havia sido atendido e aguardava dentro de uma ambulância por um leito.

Há duas semanas, o cenário no hospital não era muito diferente, uma vez que a unidade é referência no atendimento de casos que envolvem traumas, lesões provocadas por ações externas ao corpo. No último dia 28, o HUEM estava com todos os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) lotados.

Lotação em hospitais de Curitiba expõe pacientes em estado grave à espera de atendimento em ambulâncias
Dentro de ambulâncias, pacientes aguardam durante horas por atendimento – Foto: Banda B

“A situação está crítica! Estamos aguardando e nos disseram que talvez ele nem seja atendido hoje. O quadro é muito grave porque ele tem uma hemorragia no estômago. Estamos correndo com isso desde manhã, quando fomos transferidos da UPA [Unidade de Pronto-Atendimento] para cá”, afirmou Joelma à Banda B.

A declaração da esposa do paciente sobre a transferência se associa ao cenário enfrentado pelas UPAs da capital paranaense. O fluxo de atendimento em algumas unidades foi alterado, no início da semana, em meio à ativação de um plano de contingência. De acordo com a secretária municipal da Saúde, Beatriz Battistella Nadas, as UPAs do Boa Vista e do Cajuru estão funcionando com base no fluxo Y, ou seja, o atendimento a casos respiratórios e de suspeita de dengue serão separados, por exemplo.

Em março de 2024, a média diária de pessoas atendidas nas UPAs foi de 4.285, um número 25% maior se comparado ao mesmo mês do ano passado.

Lotação em hospitais de Curitiba expõe pacientes em estado grave à espera de atendimento em ambulâncias
Hospital Evangélico é referência em atendimentos de alta complexidade – Foto: Banda B

“Também, nas tendas, faremos os atendimentos de casos respiratórios. Separaremos esse fluxo e estamos contratando mais profissionais para apoiar esse trabalho dentro das tendas e no espaço das unidades”, disse Battistella nesta quinta (11).

No mesmo dia em que a secretária expôs a situação das UPAs de Curitiba, Eliane Carlos foi levada com o marido, de 55 anos, para o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie. Ele pilotava uma motocicleta e trafegava pela Avenida Victor Ferreira do Amaral, no bairro Tarumã, quando se envolveu em um acidente de trânsito.

À espera por atendimento ainda no interior de uma ambulância do Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência), o motociclista tremia de dor, segundo a esposa, e havia sofrido um traumatismo cranioencefálico.

“É uma vergonha ver ele assim porque tem muita gente ali sem atendimento. Ele foi vítima de um acidente de trânsito, está com a cabeça aberta, fratura exposta no braço, tremendo dentro de uma ambulância porque não tem atendimento. Faz mais de três horas que estamos aguardando”, revelou Eliane Carlos à Banda B por volta de meia-noite.

O que dizem os hospitais

A reportagem procurou o Hospital Evangélico para comentar sobre a situação da unidade, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. A Banda B também entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que responde pelo Hospital do Trabalhador, mas também não houve resposta.

O Hospital Universitário Cajuru afirmou que a não há previsão para que a situação do pronto-socorro da unidade seja normalizada. O hospital segue lotado nesta sexta (12).

“Referência no suporte a vítimas de traumas em Curitiba e região metropolitana, o Hospital Universitário Cajuru informa que o Pronto Socorro e os leitos de UTI operam acima de sua capacidade máxima nesta sexta-feira (12/04), sem previsão de normalização. Devido à alta demanda, há períodos de restrição dos encaminhamentos e de suspensão de cirurgias eletivas para poder absorver pacientes de emergências”, disse, em nota.

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