A educadora paulistana Flávia Cunha compara o luto pela filha Marcela, que sofreu com complicações do parto e morreu um dia depois de nascer, em 2014, a uma “ferida de casca fina, que às vezes dói e sangra”. “Aos poucos a vida foi retornando, mas tem dias ruins, e eles são avassaladores.”

‘A maioria das falas machucam ou ofendem, com seu conteúdo religioso e moral, ou acabam culpando a mãe’

 

E, nesse delicado processo de luto, acabou descobrindo que poucas pessoas tinham palavras e atitudes de acolhimento para as mães que perderam seus bebês logo após nascer ou ainda durante a gestação — e sentiu o impacto disso.

“A maioria das falas machucam ou ofendem, com seu conteúdo religioso e moral, ou acabam culpando a mãe”, diz Cunha à BBC News Brasil. “Por exemplo, ‘por que você fez isso e não aquilo no parto’, ou ‘Deus quis assim’, ‘foi melhor assim’, ‘você é jovem, logo poderá ter outros filhos’. Era uma frase atrás da outra.”

“Você fica muito machucada, o que faz com que se afaste da família e dos amigos e tenha medo de momentos como o retorno da licença-maternidade, quando vai rever os colegas de trabalho”, conta.

“As pessoas têm ótimas intenções, mas não entendem que não adianta tentar tirar a dor do outro, apenas ajudar a carregar essa dor.”

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