Quando as temperaturas caem em Curitiba, o cardápio também muda — e nem sempre para melhor. Pratos mais pesados, ricos em gordura e sódio, ganham espaço na dieta da rotina durante o inverno e, quando consumidos com frequência, podem impactar diretamente a saúde do fígado e da vesícula.

Fondue de queijo e carne grelhada no inverno em Curitiba, alimentos gordurosos que impactam fígado e vesícula
Fondue e carne vermelha, comuns no inverno em Curitiba, fazem parte da dieta mais gordurosa que pode afetar fígado e vesícula. Foto ilustrativa: Magnific.

Churrasco, carnes gordurosas, massas, queijos, embutidos e caldos quentes são comuns no inverno curitibano. O problema, segundo especialistas, não está em uma refeição isolada, mas na repetição desse padrão alimentar ao longo das semanas, especialmente quando associado a outros fatores de risco.

Consumo de ultraprocessados preocupa

Dados do Vigitel Brasil, levantamento do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco nas capitais, ajudam a dimensionar o cenário. Em Curitiba, 28% dos adultos relataram ter consumido cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista. Entre os homens, esse percentual sobe para 31,9%.

Os ultraprocessados incluem itens como embutidos, salgadinhos, refrigerantes, comidas prontas e produtos industrializados com alto teor de gordura, açúcar e aditivos químicos. O consumo frequente desses alimentos está associado ao ganho de peso e ao aumento de doenças crônicas.

No Brasil, o mesmo levantamento mostra uma tendência de alta no excesso de peso: o índice passou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Já a obesidade praticamente dobrou no período, saltando de 11,8% para 25,7%.

Impacto direto da dieta do inverno no fígado e na vesícula

De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Flávio Panegalli Filho, do Hospital VITA Batel, os números refletem uma realidade comum nos consultórios.

“Refeições muito gordurosas podem desencadear sintomas em quem já tem alteração na vesícula, enquanto excesso de peso, diabetes, colesterol alto, triglicerídeos elevados e sedentarismo aumentam o risco de acúmulo de gordura no fígado. São condições diferentes, mas ambas têm relação com hábitos mantidos ao longo do tempo”

explica o médico.

Entre os problemas mais frequentes estão a esteatose hepática (gordura no fígado) e as doenças da vesícula, como cálculos biliares. Em muitos casos, essas condições evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas em estágios mais avançados.

Frio, rotina e sedentarismo

Além da alimentação, o inverno também influencia outros comportamentos. A redução da prática de atividades físicas e a maior permanência em ambientes fechados contribuem para o sedentarismo — outro fator que pesa na saúde metabólica.

A combinação de dieta calórica, menor gasto energético e consumo elevado de ultraprocessados cria um cenário propício para o agravamento de doenças digestivas e metabólicas.

Equilíbrio é a chave

Especialistas reforçam que não é necessário abrir mão dos pratos típicos do inverno, mas sim buscar equilíbrio. Alternar preparações, reduzir o consumo de gorduras saturadas e ultraprocessados, além de manter alguma rotina de atividade física, são medidas que ajudam a minimizar os impactos.

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