João Luiz Miquelini, de 70 anos, foi a oitava pessoa a receber aplicação de polilaminina no Paraná. O procedimento aconteceu nesta terça-feira (03), no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. 

João Luiz Miquelini, de 70 anos, recebeu aplicação de polilaniamina no Hospital do Trabalhador em Curitiba e segue em recuperação no quarto
João Luiz Miquelini, de 70 anos, sofreu uma queda e perdeu o movimento das pernas. (Foto: Sesa)

João é morador de Colombo, na Região Metropolitana da Capital, e sofreu uma fratura de coluna em dezembro de 2025 ao cair de uma altura de aproximadamente 3 metros, ficando sem movimentos da cintura para baixo. Também foi no Hospital do Trabalhador que ele recebeu os primeiros atendimentos após o incidente, que envolveu inclusive uma cirurgia de estabilização.

Para João, o medicamento é a esperança de recuperar os movimentos das pernas e voltar a andar. Após realizar o procedimento, já no quarto, ele contou a primeira coisa que fará quando voltar a caminhar.

“São 80 dias assim. A esperança se renova e é grande. Agora é ir para a fisioterapia e ficar bom logo. Estávamos nessa expectativa, batalhando e hoje realizou o sonho”, afirmou.

Viviane Miquelini, filha do João, aguarda ansiosamente o resultado. Ela e toda a família seguem agora na expectativa da evolução do processo de reabilitação do pai.

“Para a gente já é uma grande notícia ele estar recebendo essa aplicação, fico imaginando para ele, a esperança de poder voltar a ter os movimentos, a andar”.

Quando a polilaminina pode ser aplicada 

João Luiz Miquelini, de 70 anos, recebeu aplicação de polilaniamina no Hospital do Trabalhador em Curitiba e segue em recuperação no quarto
Medicamento polilaniamina é promissor para a recuperação de movimentos. (Foto: Sesa)

Nesse processo, chamado de compassivo, a aplicação do medicamento pode ocorrer em até 90 dias após a lesão. O Programa de Uso Compassivo da Anvisa permite que pacientes com doenças graves tenham acesso a medicamentos ou produtos de terapia avançada ainda sem registro, mas que demonstrem promessa de benefício terapêutico.

“O paciente assina um termo informando que gostaria de receber o composto e que está ciente que ainda não se tem os termos de efeitos adversos descritos e evidências estabelecidas, que o estudo clínico está sendo realizado e que, apesar disso, gostaria de receber o composto. Esse pedido passa por uma comissão de segurança da Anvisa, que autoriza ou não a aplicação”
– explicou o médico e pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte.

Como a aplicação é feita 

O médico neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf foi quem realizou a aplicação da polilaminina e explica o procedimento, ele é um dos quatro capacitados para realizá-lo. 

“A medicação é aplicada em cima da lesão medular, em centro cirúrgico, com sedação e anestesia local. Definimos o melhor ponto de aplicação. É como se fosse uma desconexão, tem dois pontos despolilamininaconectados e a polilaminina agiria ‘unindo’ esses dois pontos”.

O Governador Ratinho Junior colocou toda a rede de saúde do Estado à disposição para a aplicação da medicação. 

“Da organização do transporte da polilaminina ao treinamento de outros médicos para estarem aptos a fazer a aplicação. É um medicamento que vai mudar a humanidade, que foi descoberto por uma brasileira que conduz o estudo com uma equipe médica composta por um paranaense”. 

O médico pesquisador e CEO da Lamilamb, Mitter Mayer, detalhou a importância da operacionalização para que o tratamento seja aplicado dentro da janela estipulada, ou seja, até três dias após o trauma. 

“É um processo muito rápido e ágil. Assim que o paciente dá entrada no hospital, o médico responsável deve fazer a avaliação do quadro e se ele é elegível para o tratamento. Em seguida, protocolamos o caso na Anvisa e o medicamento precisa chegar até o local em até 72 horas”,

O que é a polilaminina

Criada por pesquisadores da UFRJ, a polilaminina está em fase de estudos e aguarda aprovação da Anvisa para a fase 1. A pesquisa iniciada há mais de 25 anos é chefiada pela doutora Tatiana Coelho de Sampaio, com apoio de produção da Cristália. Baseada na proteína laminina, ela age reorganizando o tecido nervoso e estimulando a regeneração de neurônios, com potencial para reverter/amenizar quadros de paralisia.

Estudos preliminares no âmbito acadêmico mostraram resultados promissores, com alguns pacientes recuperando movimentos, mas ainda são necessários estudos para validar sua eficácia e segurança, o que deve levar alguns anos.

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