No Dia Mundial do Fígado, em 19 de abril, especialistas alertam que a gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, já afeta uma parcela significativa da população e avança de forma silenciosa. No Brasil, a estimativa é que entre 30% e 35% dos adultos tenham a condição — índice que pode chegar a 40% em pessoas com obesidade ou diabetes.

Em escala global, cerca de 30% da população convive com o problema. Na América Latina, o cenário é ainda mais preocupante, com prevalência próxima de 44%.
A doença, hoje chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica), está diretamente ligada ao estilo de vida. Sedentarismo, alimentação desequilibrada e aumento dos casos de obesidade ajudam a explicar o crescimento acelerado nas últimas décadas. Estimativas internacionais apontam que mais de 1,3 bilhão de pessoas vivem com a condição — número que pode chegar a 1,8 bilhão até 2050.
Gordura no fígado pode evoluir sem sintomas
O principal desafio da esteatose hepática é justamente a falta de sinais nas fases iniciais. O acúmulo de gordura no fígado passa a ser considerado doença quando ultrapassa 5%.
Segundo a hepatologista Claudia Ivantes, muitos pacientes só descobrem o problema em estágios mais avançados.
“Na maioria dos casos, a esteatose hepática não apresenta sintomas no início. Quando surgem sinais como cansaço, dor abdominal ou pele amarelada, a doença já pode estar mais grave”
explica a médica.
Entre os principais fatores de risco estão o diabetes tipo 2, o sobrepeso e a obesidade — presente em cerca de 60% dos casos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Risco de cirrose e até câncer
Sem tratamento, a doença pode evoluir em cerca de 25% dos casos. O quadro pode avançar do acúmulo de gordura para inflamação, fibrose, cirrose e até câncer de fígado.
Nos Estados Unidos, a esteatose já é a principal causa de transplante hepático — tendência que começa a se repetir também no Brasil.
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos mostram que o país realizou 2.365 transplantes de fígado em 2023, número recorde, mas ainda insuficiente para a demanda.
Diagnóstico pode começar no check-up
Apesar de grave, o diagnóstico é considerado acessível. A ultrassonografia abdominal costuma ser o primeiro exame indicado para identificar a presença de gordura no fígado.
Em alguns casos, exames mais específicos, como a elastografia hepática, ajudam a avaliar o grau de fibrose.
“O próprio clínico geral pode iniciar essa investigação em consultas de rotina. Se houver alteração, o paciente é encaminhado ao especialista”
destaca a especialista.
Mudança de hábitos é a principal forma de tratamento
Diferente do que muitos imaginam, o tratamento não depende apenas de medicamentos. A principal estratégia é a mudança no estilo de vida.
Alimentação equilibrada, perda de peso e prática regular de atividade física são as medidas mais eficazes e podem, inclusive, reverter o quadro em muitos casos.
Medicamentos são indicados em situações específicas. Já em quadros mais graves, com cirrose ou falência do fígado, pode ser necessário transplante.
Falta de diagnóstico preocupa especialistas
Mesmo com alta incidência, a doença ainda é pouco diagnosticada. Muitas pessoas desconhecem a condição e só recebem o diagnóstico quando o problema já está avançado.
“Existe um grande desconhecimento da população. Por isso, a conscientização é fundamental”, reforça a hepatologista.
Data reforça prevenção
Com o tema “Hábitos saudáveis, fígado saudável”, o Dia Mundial do Fígado de 2026 busca incentivar mudanças simples no dia a dia, como melhorar a alimentação, praticar exercícios e reduzir o consumo de álcool.
A mobilização internacional conta com apoio de entidades médicas e tem como objetivo frear o avanço de doenças hepáticas, que já são consideradas um dos principais desafios de saúde pública no mundo.
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