A luta pela recuperação de Ana Beatriz Cruz, jovem que sofreu uma grave lesão medular após ser atingida por um galho de árvore em Curitiba, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (17). Após receber a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador, os pais da paciente destacaram a rapidez do atendimento e revelaram os momentos de angústia vividos desde o acidente. O relato da mãe, Vanessa Stubinski, emocionou ao relembrar as horas em que acreditou que poderia perder a filha.

Internada desde o último sábado (13), Ana Beatriz chegou ao Hospital do Trabalhador em estado gravíssimo, com risco iminente de morte. A unidade, referência em atendimento de traumas no Paraná, realizou uma cirurgia de emergência poucas horas após sua chegada.
Dias depois, a jovem recebeu a aplicação da polilaminina, terapia experimental desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesões medulares agudas.
“Achei que ela não ia conseguir sobreviver”, disse a mãe da jovem atingida pelo galho em Curitiba
O momento mais difícil para a família aconteceu logo após o acidente. Vanessa conta que entrou em desespero ao ver a gravidade da situação e buscou apoio do ex-marido, que mora em São Paulo.
“No sábado foi aquela sensação de achar que ela não ia conseguir sobreviver. Com fé, sabia que as coisas iriam acontecer. Eu fiquei desesperada e liguei para o pai dela, porque eu achava que não daria conta sozinha e também para ver a questão do plano de saúde. O plano de saúde dela nem atenderia aqui em Curitiba e não teríamos como levar para São Paulo e arcar com o custo que seria altíssimo”
explicou Vanessa Stubinski.
Segundo ela, a agilidade do atendimento foi determinante nos momentos mais críticos. A jovem foi encaminhada diretamente ao Hospital do Trabalhador e passou por cirurgia em menos de 12 horas.
“Quando chegamos aqui, ela já foi encaminhada, atendida e em menos de 12 horas fez a cirurgia. Foi quando comecei a respirar aliviada, mas até que veio a constatação de que ela havia perdido o movimento das pernas”
completou.

Corrida contra o tempo para aplicação da polilaminina
Após a estabilização do quadro clínico, médicos da unidade apresentaram à família a possibilidade do tratamento com polilaminina, proteína experimental que já havia sido aplicada anteriormente no hospital.
A partir daí, teve início uma força-tarefa envolvendo profissionais de saúde, pesquisadores e órgãos reguladores para viabilizar a terapia. O Governo do Paraná disponibilizou uma aeronave para transportar a equipe responsável e a proteína utilizada no procedimento.
“O médico nos falou da proteína, que já havia sido aplicada aqui e que aqui era o melhor hospital para ela estar naquele momento na situação em que ela se encontrava. Tivemos o apoio do hospital e também o avião do Estado que foi buscar a equipe e a proteína. Achei incrível a prontidão em atender ela, fazer toda essa movimentação, a rapidez e eficiência no tempo hábil para aplicação da proteína. Só tenho a agradecer. Nossa expectativa está alta e a gente é muito grata ao hospital e ao Estado por ter prestado todo esse apoio para gente. Não ficamos desamparados em nenhum momento”
destacou Vanessa.

Família mantém esperança na recuperação
O pai de Ana Beatriz, Tiago Cruz, também ressaltou o suporte recebido durante toda a internação e afirmou ter se surpreendido com a estrutura colocada à disposição da filha.
“Os médicos explicaram certinho todo o procedimento, tivemos toda a assistência do hospital. Fiquei surpreso de forma positiva. Só temos a agradecer todo o apoio e ao próprio governador Ratinho Junior que liberou a aeronave. Fico bem grato por essa agilidade e atendimento”
disse Tiago Cruz.

Enquanto aguarda os próximos passos do tratamento, a família mantém a esperança de recuperação. A polilaminina integra o Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo), autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e ainda está em fase de estudos clínicos. Até o momento, 87 pacientes receberam a terapia no Brasil, sendo 17 deles no Paraná.
Agora, a expectativa dos familiares é que a jovem responda positivamente ao tratamento e possa iniciar uma nova etapa de recuperação após dias marcados por medo, incerteza e mobilização para salvar sua vida.
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