Estudo mostra que radiofrequência pode melhorar saúde sexual de mulheres na pós-menopausa

Estudo mostrou melhora na função sexual global após tratamento com radiofrequência

Redação com assessoria

Uma pesquisa publicada na revista Menopause da The Menopause Society aponta que a radiofrequência pode ser uma alternativa eficaz e bem tolerada pelas mulheres que sofrem com a Síndrome Geniturinária da Menopausa (GSM), condição caracterizada por sintomas como ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, irritação e sensação de queimação.

A estimativa é que a alteração afete pelo menos metade das mulheres nesse período da vida e o tratamento é uma alternativa para aquelas que não tem interesse em terapias que usam hormônios.

Estudo mostra eficácia de tratamento com radiofrequência. (Foto ilustrativa: Freepik)

O estudo, que incluiu um grupo controle falso (sham) para comparação, encontrou melhorias significativas na função sexual global após tratamento com radiofrequência e sugere que o aquecimento térmico controlado produzido pela radiofrequência pode estimular respostas fisiológicas que promovem elasticidade tecidual, hidratação e remodelação estrutural da mucosa vaginal, potencialmente revertendo mudanças físicas causadas pela síndrome. 

A médica  especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do Instituto GRIS, afirma que os resultados são animadores. 

“Este é um avanço promissor, mas ainda precisamos de mais dados e contexto clínico. A síndrome pode ser debilitante para muitas mulheres após a menopausa, afetando a lubrificação, o conforto e a satisfação sexual. A radiofrequência não ablativa surge como uma opção terapêutica promissora porque pode melhorar esses sintomas sem uso de hormônio, o que é importante para muitas pacientes”.

Além desse novo ensaio, estudos anteriores também demonstraram que a radiofrequência não ablativa pode contribuir para redução de sintomas como atrofia vaginal e disfunção sexual, com aumento de pontuações em escalas validadas de função sexual e melhora subjetiva relatada por pacientes.

“Tratamentos como radiofrequência devem ser considerados dentro de um plano clínico individualizado, avaliando histórico, sintomas específicos, expectativas e outras condições de saúde, assim como sempre incentivamos com qualquer terapia inovadora ou complementar”.

Realidade das brasileiras

No Brasil, estudos apontam que muitos sintomas da pós-menopausa são subdiagnosticados e subtratados, em parte devido a tabus sobre saúde sexual feminina e falta de discussão aberta em consultas médicas.

Pesquisas nacionais indicam que síntomas como secura vaginal e dor durante a relação são frequentemente relatados por mulheres na pós-menopausa, mas muitas não procuram tratamento.

Segundo Alexandra Ongaratto, a radiofrequência não deve ser vista como uma solução isolada. 

“Melhorar a saúde vaginal e a função sexual envolve mais do que uma única tecnologia. Envolve educação sexual, aconselhamento clínico qualificado, tratamentos comportamentais e médicos adequados, e, quando indicado, terapias regenerativas como a radiofrequência”.

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