Na última quinta-feira, o apresentador Fausto Silva, o Faustão, anunciou que passou por uma embolização após o transplante de rim que realizou no mês passado pois este não estaria funcionando.

Utilizando-se de técnicas modernas, o procedimento minimamente invasivo é feito como uma alternativa de tratamento às cirurgias tradicionais.

Trata-se do ato cirúrgico de bloquear (parcial ou totalmente) a passagem de um fluido, que pode ser arterial, venoso ou linfático, dentro do corpo humano, diz Francisco Carnevale, chefe do serviço de Radiologia Vascular Intervencionista do Hospital Sírio-Libanês.

No caso do apresentador, o bloqueio foi para o fluxo de sangue para uma parte do corpo para estimular outra.

Entenda o que é a embolização, procedimento pelo qual Faustão passou após transplante de rim
Foto: Divulgação/Band

O vazamento desse fluido pode ser uma das causas para o órgão demorar a funcionar. O processo foi feito como forma de lidar com questões linfáticas que atrasavam a recuperação do apresentador após o transplante.

Segundo Carnevale, o vazamento de artérias, veias e vasos linfáticos é comum em transplantes. Nesses casos, os líquidos vazam para a barriga do paciente ao redor do local onde foi posto o órgão.

“Para fazer uma embolização, é necessário um equipamento de imagem de última geração para realizar o cateterismo, antes de tudo”, afirma o médico. A imagem servirá para ajudar a identificar a lesão nos vasos. O cateterismo é o ato de passar um cateter por um vaso.

O cáteter é, por sua vez, guiado pelo médico até o órgão alvo, no caso, o rim. Após o diagnóstico da imagem, é feita a embolização -ou seja, o bloqueio de passagem do líquido (linfa ou sangue) que está indo para o lugar não desejado.

“Quando a gente faz uma embolização, é porque normalmente está acontecendo um extravasamento. A embolização estanca esse vazamento”, diz.

O agente embolizante pode ser uma “cola” -que Carnevale compara à famosa marca “Super Bonder”, pois é um líquido que seca rapidamente-, uma “mola” -que funciona como se fosse uma rolha, ou microesferas- partículas que ele compara a grãos de açúcar cristal. Todas essas alternativas servem para estancar o vazamento do líquido, que, no caso de Faustão, seria a linfa.

“Ao invés de abrir a barriga do paciente, faço um exame de imagem por dentro do órgão, identifico em que local está vazando o sangue e entupo o vazamento”, diz.

Especialmente no caso de um problema linfático, um dos diretores da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular em São Paulo, Ivan Benaduce Casella, afirma que pode existir uma complicação do transplante de rim chamada linfocele. É quando uma coleção de líquido linfático se deposita nos tecidos.

“Ao crescer, a linfocele ocupa espaço e começa a comprimir órgãos, entre eles o órgão transplantado. É preciso drenar essa coleção de líquido e fazer uma embolização, um tratamento dos pequenos vasos linfáticos que estão provocando essa linfocele”, diz.

É comum um rim transplantado demorar a funcionar?

O rim de um doador falecido, na maioria dos casos, demora de 7 a 10 dias para começar a funcionar, segundo o nefrologista Elias David Neto, do Hospital Sírio-Libanês.

Quando há um transplante de coração prévio, como é o caso de Faustão, existem outros fatores que podem causar uma demora ainda maior.

Nesta sexta-feira (15), Faustão disse que “está tudo ok” com seu rim. “Fiz todos os exames, está tudo ok com o rim, (mas) às vezes demora até um mês. Tô na espera, na arte da paciência”, disse o apresentador ao colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

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