A endometriose afeta milhões de brasileiras e, muitas vezes, é diagnosticada com atraso. Além da dor intensa, a doença pode comprometer a fertilidade e a qualidade de vida. Especialistas alertam que, além do tratamento médico, mudanças na alimentação podem ajudar a controlar os sintomas e reduzir processos inflamatórios no organismo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose no mundo. No Brasil, a estimativa é de que mais de 8 milhões tenham a doença, caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero.
Como a alimentação pode ajudar no controle dos sintomas da endometriose
A endometriose é considerada uma doença inflamatória crônica. Por isso, hábitos alimentares equilibrados podem contribuir para diminuir a inflamação e melhorar o bem-estar das pacientes.
Um estudo conduzido pela Universidade de Edimburgo, divulgado em 2025, acompanhou 2.599 mulheres e apontou que ajustes na dieta podem aliviar dores associadas à condição. De acordo com os dados publicados pelo jornal The Guardian:
- 45% das mulheres que retiraram glúten ou laticínios relataram melhora nas dores;
- 43% perceberam alívio ao reduzir a cafeína;
- 53% notaram melhora ao diminuir o consumo de álcool.
A ginecologista Fernanda Nunes explica que a relação entre esses alimentos e a endometriose envolve inflamação, sistema imunológico, saúde intestinal e hormônios.
“Por se tratar de uma doença inflamatória, alguns alimentos podem estimular ainda mais o processo inflamatório no corpo. Além disso, em determinadas mulheres, glúten e laticínios podem provocar reações imunológicas que agravam os sintomas”
afirma a médica.
Ela ressalta que cada organismo responde de maneira diferente. Por isso, mudanças significativas na dieta devem ser feitas com acompanhamento médico ou nutricional. O tratamento ideal envolve abordagem multidisciplinar, com ginecologista, nutricionista e, quando necessário, apoio psicológico.
Sintomas da endometriose: quando procurar um médico
Apesar de atingir uma em cada dez mulheres, o diagnóstico ainda pode levar, em média, sete anos para ser confirmado. A demora está relacionada à normalização da dor menstrual intensa, que muitas vezes é vista como algo comum.
Entre os principais sintomas estão:
- Dor pélvica crônica;
- Cólicas menstruais incapacitantes (dismenorreia);
- Dor durante as relações sexuais (dispareunia);
- Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual;
- Dificuldade para engravidar.
“Dores menstruais incapacitantes não são normais e devem ser investigadas. Qualquer piora progressiva da dor ou suspeita de infertilidade deve ser avaliada por um ginecologista”
orienta a especialista.
O diagnóstico começa com avaliação clínica detalhada e pode incluir exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve. Em alguns casos, a videolaparoscopia é indicada para confirmar e tratar a doença.
Atendimentos por endometriose crescem no SUS
Dados do Ministério da Saúde mostram aumento expressivo nos atendimentos relacionados à endometriose na rede pública. Em 2022, foram registrados 82.693 atendimentos na atenção primária. O número subiu para 115.765 em 2023. Já os dados preliminares de 2024 apontam 145.744 atendimentos — crescimento de 76,2% em três anos.
Para a ginecologista, o aumento pode estar ligado à maior busca por diagnóstico e informação. “A endometriose ainda é cercada de tabus. Muitas mulheres sofrem em silêncio, acreditando que a dor intensa é normal. É fundamental ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e garantir tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida”, conclui.
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