Fadiga muscular precoce, formigamentos, dormências, inchaços leves, dor persistente que piora durante o trabalho e melhora com o repouso e perda de força estão entre os sintomas mais comuns entre os pacientes que desenvolvem Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Dor no punho, braço ou ombro? Pode ser LER: especialista explica causas e quando procurar ajuda
Falta de ergonomia é uma das principais causas de desenvolvimento de LER. (Foto: Freepik)

As lesões e os distúrbios estão relacionados a um conjunto de síndromes que afetam os músculos, nervos e tendões, principalmente dos braços e da coluna vertebral. Os DORT também incluem, além das lesões causadas por esforços repetitivos, os problemas que vêm das posturas inadequadas, uso de força excessiva e ritmo acelerado de trabalho. 

Entre os diagnósticos mais comuns nos pacientes afetados estão tendinites, que são inflamações nos tendões comuns em ombros, cotovelos, punhos e mãos; a síndrome do túnel do carpo, caracterizada pela compressão de um nervo no punho, causando dor e dormência; as bursites, inflamação das bursas que atingem principalmente os ombros; além das cervicalgias e lombalgias, que correspondem a dores musculares na região da coluna cervical e lombar.

O ortopedista do Vera Cruz Hospital, José Luis Zabeu, explica que toda atividade que cause sobrecarga no sistema musculoesquelético de forma contínua traz riscos. 

“No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram alta incidência em profissões que envolvem repetição, posturas inadequadas ou força excessiva, como digitadores, trabalhadores de linha de produção, profissionais da limpeza, operadores de caixa, costureiros e teleoperadores”.

O diagnóstico é feito de forma clínica, com exames físicos e de imagem.  

O tratamento envolve controle da dor com medicação, fisioterapia, reabilitação funcional, fortalecimento muscular e adequações no ambiente de trabalho. A ergonomia tem papel fundamental nesse processo, incluindo ajustes de mobiliário, equipamentos de apoio, organização de tarefas e análise das jornadas.

“Quando o distúrbio impede o exercício da função, pode haver afastamento temporário para tratamento. Sem mudanças nas condições de trabalho, há risco de recidiva e agravamento. Em casos crônicos, podem ocorrer limitações permanentes e até aposentadoria por invalidez, especialmente quando o tratamento é tardio ou ineficaz”,
– alerta o especialista.

Hábitos fora do trabalho também influenciam. Posturas inadequadas em casa, uso excessivo de celular, sedentarismo, sobrepeso, sono irregular e estresse contribuem para o surgimento ou manutenção das lesões. 

Números 

Dados preliminares de 2025, do Ministério da Saúde, apontam alta prevalência dessas doenças, especialmente em setores como indústria calçadista, teleatendimento e linhas de produção. As notificações indicam maior incidência em homens (58,8%), na faixa etária de 35 a 54 anos, com destaque para quadros de dores crônicas, síndrome do túnel do carpo e tendinites. A região Sudeste concentra a maior parte dos registros. 

Medidas para colocar na rotina 

Zabeu ressalta que pequenas mudanças podem gerar grandes impactos e que medidas simples reduzem significativamente os riscos, como colocar o monitor na altura dos olhos; manter cotovelos e pés apoiados; fazer pausas de 5 a 10 minutos por hora; alternar tarefas; manter hidratação regular; evitar o uso do celular nas pausas; e utilizar ferramentas que reduzam o esforço físico.

Alongamentos e ginástica laboral também são aliados importantes.

“As pausas permitem a recuperação de músculos e tendões. Alongamentos devem durar de 20 a 30 segundos, sem provocar dor. Programas de ginástica laboral, orientados por fisioterapeutas, são excelentes ferramentas preventivas”.

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