A dificuldade para engolir alimentos ou líquidos, conhecida como disfagia, é um problema mais comum do que muita gente imagina e pode trazer riscos sérios à saúde, principalmente entre idosos. Estudos indicam que o distúrbio pode afetar entre 10% e 33% das pessoas acima dos 60 anos.

Frequentemente associada ao envelhecimento, a disfagia pode surgir, entretanto, em qualquer fase da vida, incluindo crianças, dependendo da condição clínica do paciente.
O problema acontece quando há alteração no processo de deglutição, que envolve uma série de músculos e nervos responsáveis por levar o alimento da boca até o estômago. Quando esse mecanismo falha, parte do alimento pode ir para as vias respiratórias, aumentando assim o risco de complicações como pneumonia por aspiração, desnutrição e desidratação.
Doenças e envelhecimento estão entre as causas
A disfagia pode surgir em diferentes situações clínicas. Entre as mais comuns estão AVC (Acidente Vascular Cerebral), doenças neurodegenerativas, câncer de cabeça e pescoço, alterações congênitas, prematuridade e envelhecimento natural.
Por isso, profissionais de saúde destacam a importância de observar os primeiros sinais e buscar avaliação especializada, especialmente em idosos, pacientes hospitalizados ou pessoas com doenças neurológicas.
Pesquisas científicas apontam que o problema pode atingir até um em cada três idosos que vivem em casa e mais da metade daqueles que vivem em instituições de longa permanência.
Engasgos podem ser fatais
No Brasil, a dificuldade de engolir também está associada a casos graves de engasgo. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de duas mil pessoas morreram em 2023 após episódios de engasgamento, sendo, portanto, a maioria das vítimas com mais de 65 anos.
Para a fonoaudióloga Camila Molento, conselheira do Conselho Regional de Fonoaudiologia do Paraná e Santa Catarina (CREFONO3), a identificação precoce é essencial para evitar complicações.
A disfagia pode passar despercebida no início, mas traz riscos importantes. Tosse frequente ao comer, sensação de alimento parado na garganta ou engasgos recorrentes são sinais de alerta que precisam ser avaliados por um profissional
explica a fonoaudióloga.
Tratamento envolve acompanhamento especializado
Segundo a especialista, o acompanhamento fonoaudiológico é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para a reabilitação da deglutição.
A fonoaudiologia atua desde a avaliação até a reabilitação funcional, com exercícios específicos e orientações sobre consistência dos alimentos, postura e estratégias seguras para a alimentação. O objetivo é garantir segurança ao engolir e preservar a qualidade de vida do paciente
afirma Molento.
Pacientes com câncer de cabeça e pescoço também exigem atenção especial, já que cirurgias, radioterapia e quimioterapia podem comprometer estruturas importantes da deglutição.
“Nesses casos, a atuação precoce da fonoaudiologia é fundamental para prevenir e tratar alterações na deglutição, permitindo que o paciente mantenha a alimentação de forma mais segura durante e após o tratamento”, destaca Camila.
Especialistas reforçam, portanto, que diagnóstico e tratamento precoces reduzem o risco de complicações e ajudam a manter nutrição adequada e autonomia do paciente.
Sinais de alerta da dificuldade para engolir
Alguns sintomas podem indicar disfagia e devem ser avaliados por um profissional de saúde:
- Tosse ou engasgo frequente durante as refeições
- Sensação de alimento parado na garganta
- Necessidade de beber líquidos para conseguir engolir
- Mudança na voz após comer ou beber
- Perda de peso sem causa aparente
- Pneumonias de repetição
- Demorar muito para terminar as refeições
Na presença desses sinais, a recomendação é, assim, buscar avaliação com um fonoaudiólogo ou médico especialista.
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