Tosse, febre, dor de garganta, coriza, vômitos, diarréia e falta de apetite são sintomas frequentes entre as crianças, causados por viroses. As infecções por vírus tendem a aumentar no período de volta às aulas, mas por que isso acontece com tanta frequência entre os pequenos?

De acordo com a pediatra, neonatologista, professora e diretora da KidsLife Saúde Infantil, Dra. Gislayne Souza Nieto, o organismo das crianças ainda está aprendendo a se proteger.
“Na grande maioria das vezes não têm baixa imunidade, mas sim um sistema imunológico ainda em formação, como se ainda estivesse aprendendo, entrando em contato com vários vírus. O período de aulas reúne várias crianças com diferentes vírus, em ambientes mais fechados e com contato próximo entre elas”.
Outro fator importante é a falta de entendimento entre a molecada sobre a transmissão de doenças; elas colocam objetos na boca sem medo, por exemplo. Esses hábitos facilitam passar o vírus de uma criança para a outra pela saliva e por gotículas da respiração.
No ambiente escolar os vírus mais comuns são o rinovírus, resfriado comum, influenza, adenovírus, parainfluenza e Covid, de acordo com a pediatra.
“Temos uma lista de vírus respiratórios, mas eu gostaria de chamar a atenção para o vírus sincicial, o que causa mais complicações e infecções respiratórias do trato inferior em crianças abaixo de dois anos, é o vírus mais comum a causar bronquiolite, embora não seja o único. É importante lembrar que, contra esse vírus, temos a vacina para gestantes e o nirsevimabe, que é um anticorpo monoclonal disponível na rede particular para crianças abaixo de um ano”.
Em algumas situações especiais, crianças têm direito ao medicamento através da rede pública de saúde. São aquelas prematuras abaixo de 37 semanas, cardiopatas, crianças com imunodeficiência, síndrome de Down e outras alterações, que serão orientadas pelo pediatra responsável pelo tratamento.
Quando pensamos em diarréia, os vírus mais comuns são o rotavírus e o norovírus.
Como reduzir os riscos

Apesar de as infecções fazerem parte do desenvolvimento das crianças é papel dos familiares e do ambiente escolar reduzir os riscos de transmissão. Gislayne Nieto ressalta que a vacinação é essencial.
“É importante que a família toda esteja imunizada, com o calendário vacinal adequado. Os pais devem evitar mandar as crianças com quadro agudo para a escola, principalmente se tiver febre. O acompanhamento regular com pediatra também é importante”.
A médica também alerta que doenças que eram erradicadas, como o sarampo, estão voltando a circular porque parte da população está com medo de tomar as vacinas.
“Temos que ter medo das doenças e não das vacinas. É indispensável a atualização do calendário, assim como outras medidas, como a higienização frequente das mãos e a proteção com o cotovelo na hora de espirrar e tossir, o que chamamos de etiqueta respiratória. Também manter os ambientes mais ventilados e uma rotina adequada de sono e boa alimentação são medidas que vão reduzir a transmissão”.
Quando buscar o médico
Entre os sinais de alerta para procurar um especialista de forma imediata estão a dificuldade respiratória, recusa alimentar, vômitos ou febre muito alta.
“A febre por si só não é uma emergência, mas exige uma avaliação principalmente em crianças menores de três meses, que não é comum ter febre. Se o sintoma persistir com mais de 48, 72 horas, ou se a criança der sinais que não está bem, não quiser comer, tiver sinais de exaustão, são sinais de alerta”.