O consumo frequente de alimentos industrializados com conservantes químicos pode estar associado a maior risco de alguns tipos de câncer, como mama, próstata e cólon. O alerta vem de um estudo conduzido por pesquisadores de universidades francesas e divulgado no início deste ano. Embora a pesquisa não comprove relação direta de causa e efeito, os cientistas apontam que a exposição contínua a aditivos merece atenção.

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Especialistas alertam que consumo frequente de alimentos industrializados com conservantes pode trazer riscos à saúde e reforçam a importância de ler os rótulos. Foto ilustrativa: Freepik.

Para a nutricionista Cynthia Howlett, especialista em nutrição esportiva, o principal cuidado deve ser observar a composição dos produtos antes da compra, principalmente diante da grande oferta de alimentos ultraprocessados no mercado.

Segundo ela, muitos produtos industrializados recebem aditivos para melhorar aparência, sabor e textura, tornando-se mais atrativos ao consumidor — especialmente ao público infantil.

“Grande parte desses alimentos com cores mais intensas utiliza aditivos artificiais que deixam o gosto mais marcante, a cor mais vibrante e chamam mais a atenção”

explica.

Conservantes mais comuns nos alimentos

Entre os aditivos mais comuns estão corantes artificiais, conservantes e realçadores de sabor, usados para aumentar a durabilidade e padronizar a aparência dos alimentos. Alguns deles são:

  • Nitrato de sódio — encontrado em carnes processadas como bacon, salsicha e salame;
  • Sorbato de potássio — presente em doces, coberturas e condimentos;
  • Sulfitos — usados em biscoitos, cereais, sucos industrializados e embutidos;
  • Acetatos e ácido acético — comuns em produtos de panificação e refeições prontas.

Além do possível impacto no risco de doenças, o consumo frequente desses alimentos também pode trazer prejuízos nutricionais.

“Quando misturamos frutas com xarope, açúcar e corantes, por exemplo, perdemos propriedades naturais importantes, como antioxidantes”

afirma.

A nutricionista destaca ainda que o excesso de ultraprocessados pode contribuir para processos inflamatórios, alergias, dores de cabeça e alterações intestinais — sintomas que nem sempre são associados à alimentação.

Rotulagem ainda gera dúvidas

Outro problema apontado é a dificuldade para identificar aditivos nos rótulos. No Brasil, a rotulagem frontal alerta para excesso de açúcar, sódio e gordura, mas não detalha a presença de corantes e conservantes.

Por isso, a recomendação é ler a lista completa de ingredientes, na qual aparecem os nomes químicos dos aditivos.

Dicas para reduzir o consumo de aditivos

A especialista orienta algumas medidas simples no dia a dia:

  • Observe cores muito vibrantes ou artificiais nos alimentos;
  • Leia sempre a lista de ingredientes no rótulo;
  • Prefira alimentos naturais ou minimamente processados;
  • Reduza o consumo de embutidos e refeições prontas.

A principal recomendação é priorizar alimentos frescos, já que isso reduz a exposição frequente a substâncias químicas presentes nos industrializados e contribui para uma alimentação mais equilibrada.