Um transtorno pouco comentado vem ganhando maior projeção na internet e em discussões médicas nos últimos anos. A síndrome de pica (ou apenas “pica”) alerta pessoas e especialistas sobre o potencial de desenvolver o hábito de ingerir substâncias não alimentares e sem valor nutricional.

Foto de homem preocupado, com as mãos na cabeça, para ilustrar a preocupação com a síndrome de pica.
Síndrome de pica é considerada subnotificada e pode atingir até 5% dos adultos. Foto: Imagem Ilustrativa/Pexels

O que é a síndrome de pica?

A síndrome pode atingir pessoas e até mesmo animais, como cães e gatos, que possuem transtorno alimentar. Entre as ingestões mais comuns, estão comer terra, giz, papel, cabelo, sabão, plástico, cinzas, tecido, gelo, metal, tinta descascada e até fezes ou objetos perigosos.

Para a pessoa ser diagnosticada com a síndrome, a ingestão precisa ser repetitiva e não pode estar associada a hábitos culturais ou pela fase natural do desenvolvimento infantil. O transtorno pode ser adquirido a qualquer idade e é subnotificado, ou seja, o registro oficial é menor do que os casos reais sem diagnóstico atribuído.

A síndrome se apresenta com desejo intenso que pode chegar até a compulsão. Em muitos casos, a pessoa sabe sabe que determinada substância não deveria ser ingerida, mas relata alívio emocional, sensação de prazer, redução da ansiedade ou simplesmente uma vontade incontrolável.

Quem é afetado pelo transtorno?

Como não há uma origem específica para a síndrome, pessoas de qualquer idade e contexto podem ser afetadas. Em crianças pequenas, o transtorno pode ser observado pelo desenvolvimento dos bebês, quando colocar objetos na boca faz parte de sua ambientação no mundo.

Já em gestantes, a síndrome aparece associada à anemia. Algumas grávidas relatam vontade intensa de comer terra, sabão, gelo, argila e giz.

Além disso, a pica costuma aparecer associada a condições neurológicas e psiquiátricas. Pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), esquizofrenia, deficiência intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem apresentar hábitos de ingestão incomuns.

Um estudo da Universidade de Cambridge, Inglaterra, cita que um em cada 20 adultos pode relatar algum episódio de pica ao longo da vida adulta, mas apenas 1 em 100 mantém padrão recorrente. Apesar disso, a pesquisa conclui que a síndrome não é tão rara quanto parece.

Riscos da síndrome

Especialistas alertam para os riscos do transtorno, especialmente quando a vontade se desdobra para substâncias tóxicas. Em sua, o real perigo é o que é ingerido, não a condição em si.

Casos extremos ou contínuos podem levar ao desenvolvimento de úlceras, perfuração de órgãos e até mesmo morte.

“[Pica] Pode ocasionar problemas perigosos mesmo quando não há a ingestão de substâncias não tóxicas. Um exemplo é quando se come cabelo (conhecido como tricofagia), que pode obstruir o tubo digestivo, causando bloqueio, cortes e outros danos”

cita um artigo da Cleveland Clinic, Estados Unidos.

Como tratar?

O tratamento não possui uma metodologia única por se tratar de casos específicos. Na prática clínica, médicos tratam a pica mais como um sintoma comportamental com múltiplas origens do que como uma doença isolada.

Assim, as principais formas de trato da condição são:

  • correção de deficiências nutricionais;
  • terapia comportamental;
  • uso de medicamentos (suplementação e antidepressivos).

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