O funcionamento dos estabelecimentos comerciais não será afetado com as medidas restritivas anunciadas pelo Governo do Paraná, com início a partir de hoje (2). O objetivo do decreto que estabelece o “toque de recolher” é frear a circulação de jovens durante a madrugada, afirmou o secretário da Saúde do Estado, Beto Preto, em entrevista à Banda B, na manhã desta quarta-feira (2). “São medidas mais periféricas e não diretamente no funcionamento do comércio. Nosso foco hoje é o jovem, é a aglomeração e principalmente atividades que cercam esse tipo, como noitadas, as madrugadas, que muitas vezes são regadas à álcool, que leva a um acidente de trânsito, uma briga, um ferimento por arma, por faca. Todos esses tipos de situação criam necessidade para atendimento urgente de paciente. Isso acontecendo, equipes inteiras acabam focadas para essas situações, mas nosso foco é atender pacientes com coronavírus”, diz ele.

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN

 

Mesmo com esse anúncio do decreto, o secretário da Saúde não descarta novas medidas para conter o avanço do coronavírus. “Teremos uma conversa com o comando da Polícia Militar, que vai trabalhar de maneira ostensiva no regramento do toque de recolher, existe a vontade de colocar a não utilização de bebidas alcoólicas em vias públicas, ou seja, as pessoas precisam estar em casa. Existem outras questões que estão sendo discutidas, como a diminuição de passageiros em ônibus, mudança nos festejos de fim de ano, principalmente, por parte das Prefeituras, sem qualquer tipo de shows e eventos”, adianta Beto Preto.

Aumento de casos

Para o Governo do Estado, a segunda onda viria apenas no ano que vem, dando um fôlego ao sistema de saúde público e privado. “A pandemia é sorrateira, nós aguardávamos uma chamada segunda onda em abri e maio. Mas, de repente, com toda essa movimentação, feriados, período eleitoral, mesmo sem comício e grande movimentação, a campanha foi feita, houve esse aumento e resultou em um aumento de novos casos”, avalia o secretário.

Diante do crescimento de pessoas infectadas no Paraná, mais leitos de Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) foram reabertos. No entanto, a ideia é conscientizar a população, já que equipes médicas e insumos também são essenciais para o combate ao coronavírus. “Já conseguimos reabrir praticamente todas as unidades de terapia intensiva que tínhamos reservadas para a covid-19 em Curitiba e região e estamos avançando para mais leitos. Mas, isso tudo tem limite, daqui a pouco não teremos mais médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipamentos, insumos. Mais uma vez de discutir medidas mais racionais de distanciamento e tudo aquilo que a gente vem dizendo desde março. Mais vagas de UTI não pode servir de álibi para que as pessoas possam liberar o cotidiano normal diante da pandemia”, critica o secretário Beto Preto, em entrevista à Banda B.

Colapso

Segundo o secretário, Curitiba e região metropolitana estão com hospitais públicos e privados funcionando no limite. “O sistema de saúde em Curitiba tem rodado muito próximo do colapso e todos os dias a Secretaria de Saúde tem ampliado leitos e ajudado nisso. Mas, o SUS não é uma ilha, temos a possibilidade de transferência e estamos utilizando toda a macro região Leste nesse momento. Temos um Hospital Estadual em Guarapuava, que tem servido de ponto de apoio para União da Vitória, Irati e também alguns municípios da região metropolitana. Estamos usando leitos onde temos acesso, Hospital Regional de Telêmaco Borba, também estadual, Ponta Grossa”, alerta.

Transporte coletivo

Durante o entrevista, o secretário de Saúde do Estado Beto Preto também avaliou que o transporte coletivo da Rede Integrada tem operado com redução de passageiros. “Existe, sim, o perigo de contaminação no transporte público, mas ao mesmo tempo os números da Comec nos dizem que o transporte médio diário de 340 mil pessoas antes da pandemia. Chegamos a ter 115 mil pessoas como média diária, quando houve a quarentena restritiva. Agora, com a volta das flexibilizações, temos o uso por cerca de 180 mil passageiros por dia, ou seja, 50%. Muita gente está utilizando transporte próprio ou até está trabalhando de casa. Isso demonstra que as pessoas continuam tentando se regrar”, finalizou.