Os casos de coqueluche tiveram um aumento de 500% no Paraná, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. O estado registrou 24 confirmações de janeiro até a primeira quinzena de junho. No mesmo período do ano passado, foram 17 ocorrências da doença.

COQUELUCHE
Foto Ilustrativa: Pixabay

A maioria das confirmações deste ano é da 2ª Regional de Saúde Metropolitana, com 18 casos, seguida da 3ª RS de Ponta Grossa (4), 15ª RS de Maringá e 19ª RS de Jacarezinho, com um caso cada uma. Não há registro de óbitos pela doença neste ano no Paraná. Diante disso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta para a importância de manter a vacinação em dia.

Segundo o bioquímico e responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, a coqueluche, também conhecida como “tosse comprida”, é uma doença infecciosa respiratória aguda e altamente contagiosa.

“Estima-se que uma pessoa com coqueluche pode infectar entre 12 e 17 outras pessoas. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto do doente por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou até mesmo ao falar. Em alguns casos, a transmissão pode ocorrer através de objetos recentemente contaminados com secreções de pessoas doentes”, explica.

Diagnóstico e exames

Kozlowski afirma que o diagnóstico precoce da coqueluche é fundamental, embora possa ser complicado devido à semelhança dos sintomas iniciais com os de um resfriado ou outras doenças respiratórias.

“O período de incubação do bacilo, ou seja, o intervalo de tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, é, em média, de 5 a 10 dias, podendo variar de 4 a 21 dias e, em casos raros, chegar até 42 dias, sendo a tosse seca persistente, um forte indicativo da doença. Para confirmação do diagnóstico, o exame de PCR em tempo real é fundamental, pois é um exame que detecta diretamente o DNA da bactéria Bordetella pertussis, permitindo uma confirmação rápida da infecção”, explica.

Além do PCR, Kozlowski afirma que os exames sorológicos como o IgM e o IgG também se fazem necessários.

“Os exames sorológicos (IgM e IgG) também são complementares importantes no diagnóstico da coqueluche. O IgM é um exame usado especialmente nos estágios iniciais da doença, quando o paciente ainda apresenta sintomas agudos. Já o IgG detecta a presença de anticorpos IgG, o que sugere uma infecção mais antiga ou exposição prévia à bactéria. Isso pode ser importante para entender a história imunológica do paciente e a eficácia da vacinação”, afirma o especialista.

Além desses testes principais, Kozlowski menciona a relevância de exames complementares.

“Hemogramas e raios-x de tórax podem ser realizados para avaliar o estado geral do paciente e descartar outras condições que possam estar causando sintomas semelhantes,” explica.

Importância da Vacinação

A enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Kátia Oliveira, explica que a vacinação é a principal medida preventiva contra a coqueluche.

“A vacinação é a nossa melhor defesa contra a coqueluche e outras doenças infecciosas. A vacina protege não só o indivíduo, mas também garante uma proteção coletiva e combate à transmissão. Além disso, quando há um número expressivo de vacinados, o vírus encontra dificuldades para circular. Por isso, é fundamental imunizar o máximo de pessoas possível”, afirma.

Kátia explica que atualmente existem várias vacinas que oferecem proteção contra essa doença, como vacina DTPa, vacina dTpa, vacina dTpa-VIP, vacina pentavalente acelular e vacina hexavalente.

“A vacina DTPa é recomendada para crianças a partir dos 2 meses até os 7 anos. As vacinas pentavalente e hexavalente incluem a DTPa e outras vacinas do calendário infantil, reduzindo o número de aplicações necessárias. A vacina dTpa, por sua vez, é indicada para crianças a partir dos 4 anos, adolescentes, gestantes, adultos e idosos”, conta a enfermeira.

Exames que detectam a coqueluche

PCR em tempo real
Este exame é altamente sensível e específico para detectar a presença do DNA da bactéria causadora da coqueluche, sendo o método preferido para confirmação rápida da infecção.
Cultura de material da nasofaringe
Utilizado para isolar a bactéria, embora demore mais tempo para fornecer resultados.
Exames Sorológicos (IgM e IgG)
• IgM: indicador de infecções recentes, útil para detectar a coqueluche em estágios iniciais.
• IgG: indicador de infecções de longo prazo, mostrando uma exposição anterior à bactéria.

Exames complementares

Hemograma e raio-x de tórax também podem ser realizados para avaliar o estado geral do paciente e descartar outras condições.

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Casos de coqueluche têm aumento de 500% no Paraná; doença pode ser confundida com gripe

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