Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

Foto: Colaboração

Aguardando por atendimento há pelo menos seis horas, pacientes da Unidade de Pronto-Atendimento do Fazendinha, em Curitiba, se revoltaram durante a tarde desta terça-feira (1). Em entrevista à Banda B, eles afirmam que estão com muitas dores e que a única resposta que recebem é a de que terão que aguardar mais.

Carolina Teleezinski relatou que está com a mãe no local desde as 9h30 e nada é feito. “É um descaso total. A prefeitura fala que a Saúde é prioridade da gestão, mas não é isso que a gente percebe. Tem gente chorando aqui e ninguém faz nada”, lamentou. Segundo Carolina, a mãe está sofrendo com uma forte dor na garganta e tosse.

Alfredo Trindade contou que chegou ao local por volta das 10h30, com uma forte dor nas costas, e a espera só piorou a situação. “Já tentei tirar satisfação e a única resposta que temos é que temos que esperar, isso é um absurdo”, disse.

As UPAs de Curitiba usam como critério de prioridade a classificação do Protocolo de Manchester. Nela os pacientes são pré-avaliados e separados por cores, que apontam a gravidade de cada pessoa e organiza a ordem de atendimento.

Durante a tarde, a Banda B ainda recebeu denúncias de atendimento muito demorado nas UPAs do Sítio Cercado e do Campo Comprido.

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que emitiu nota sobre a situação. Confira na íntegra:

A paciente Eliane Garcia Paredes Telezinski chegou na UPA Fazendinha às 10h47 e foi atendida às 16h17. Já o paciente Alfredo Trindade foi admitido 12h15 e foi chamado às 16h30, mas ele não estava mais na unidade. Na avaliação de classificação de risco, ao chegar na unidade, os dois pacientes foram classificados como atendimento de baixo risco, não urgente. Nas UPAs, a prioridade de atendimento é para pacientes com maior gravidade e urgência de atendimento.

A Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes-Curitiba) alerta aos usuários do SUS Curitiba que os atendimentos médicos, que não são considerados de urgência e emergência, podem ter sofrido prejuízos nas UPAs Sítio Cercado e Fazendinha, diante da greve deflagrada pelo Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar).

Não se observa, até este momento, prejuízo ao atendimento dos pacientes de maior gravidade (eixo vermelho, amarelo, laranja no protocolo de classificação de risco) nas UPAs. Porém, em relação a pacientes considerados de baixo risco (eixo azul e verde), observa-se a efetivação de uma operação tartaruga por parte de alguns profissionais que aderiram ao movimento. Com isso, a espera por atendimento para estes casos pode ser maior.

A Feaes ainda ressalta que sua equipe médica teve um aumento real de 33,68% nos últimos quatro anos. Dessa forma, a Feaes passou a ser a empregadora a remunerar a maior hora-médica de Curitiba e região.

Morte

No último dia 8 de julho, um paciente de 58 anos morreu após aguardar por três horas por atendimento na UPA do Fazendinha. A denúncia veio de outros pacientes que também estavam no local e procuraram a Banda B para reclamar do tempo de espera.

Segundo a prefeitura, o paciente Marcos Rogério Ferreira, 58 anos, deu entrada por volta de 16h50 unidade com queixa de dor no estômago (desconforto gástrico). A avaliação apontou o quadro clínico classificado no eixo verde (pouco urgente) do Protocolo de Manchester. “Após cerca de uma hora de espera para o atendimento o paciente acabou por ter uma parada cardíaca. A equipe da UPA imediatamente encaminhou o atendimento mas, infelizmente, não teve êxito na reanimação do paciente, mesmo tendo usado de todo o aparato médico disponível. Marcos Rogério Ferreira veio a falecer na própria Unidade de Pronto Atendimento”, informou a administração municipal na ocasião.