O avanço das pesquisas sobre obesidade e câncer tem revelado novos caminhos para a prevenção de tumores. Um estudo publicado em 2025 na revista científica JAMA Oncology analisou o impacto do uso de medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras no risco de desenvolvimento de câncer em pessoas com obesidade.

A pesquisa acompanhou cerca de 86 mil adultos. Metade deles utilizava medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, enquanto a outra metade era formada por pessoas com obesidade que não faziam uso da medicação. Os dois grupos foram comparados para avaliar se a perda de peso e a melhora metabólica proporcionadas pelo tratamento poderiam influenciar o risco de câncer.
Os resultados mostraram uma diferença significativa. De forma geral, os participantes que utilizaram os medicamentos apresentaram redução de cerca de 17% no risco global de câncer em comparação com aqueles que não utilizaram as canetas.
Redução foi maior em alguns tipos de tumor
Ao analisar tumores específicos, os pesquisadores observaram reduções ainda mais expressivas. Entre os usuários dos medicamentos, houve:
- 25% menos risco de câncer de endométrio, um dos tumores mais associados à obesidade
- Quase 50% menos risco de câncer de ovário
- Redução próxima de 65% no câncer de esôfago
Segundo a oncologista clínica Aline Vieira, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), os dados reforçam o que já é conhecido pela medicina: a obesidade está diretamente ligada ao aumento do risco de diversos tipos de câncer.
A obesidade é um fator de risco importante para vários tumores. Quando conseguimos reduzir o peso corporal e melhorar o metabolismo do paciente, também diminuímos processos inflamatórios e hormonais que favorecem o desenvolvimento de câncer
explica a especialista.
Estudo também traz ponto de atenção
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores identificaram um dado que ainda precisa ser melhor investigado. Entre todos os tipos de câncer analisados, houve aumento do risco apenas para câncer de rim no grupo que utilizava os medicamentos.
Segundo os especialistas, o mecanismo que poderia explicar essa associação ainda não está claro e continua sendo estudado pela comunidade científica.
Esse achado reforça que nenhum medicamento deve ser utilizado sem indicação médica e acompanhamento adequado. Ainda assim, o balanço geral da pesquisa é considerado positivo
afirma a oncologista.
Controle da obesidade é chave na prevenção do câncer
Além de auxiliar na perda de peso, os medicamentos à base de GLP-1 já são utilizados no tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e de outras condições metabólicas — fatores que também estão ligados ao aumento do risco de câncer e doenças cardiovasculares.
Para a médica, a principal mensagem do estudo é que o tratamento da obesidade deve ser encarado como uma estratégia de saúde e prevenção.
“Esses medicamentos não devem ser vistos como solução estética ou de uso indiscriminado. Quando bem indicados, ajudam a tratar a obesidade, melhorar a saúde metabólica e podem contribuir para reduzir o risco de alguns tipos de câncer”, diz.
Especialistas ressaltam que a prevenção do câncer envolve uma combinação de fatores, incluindo controle do peso, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. Essas medidas ajudam a reduzir fatores de risco e podem impactar diretamente na diminuição de diagnósticos ao longo do tempo.
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