Casos recentes de câncer de mama envolvendo mulheres jovens voltaram a chamar atenção para a importância do diagnóstico precoce e da investigação de qualquer alteração nas mamas, mesmo antes dos 40 anos. Nesta quinta-feira (5), é comemorado o Dia Nacional da Mamografia e do Mastologista e especialistas em saúde reforçam um alerta às mulheres: idade não é sinônimo de imunidade contra o câncer.

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Mamografia é o principal exame para o rastreamento do câncer de mama e pode ajudar a detectar a doença em fases iniciais. (Foto Ilustrativa: Reprodução/ Freepik)

De acordo com o cirurgião oncológico José Clemente Linhares, do Instituto de Oncologia Paraná (IOP), além do rastreamento, é fundamental entender que qualquer alteração na mama precisa ser avaliada. “Exame de rotina não substitui consulta médica quando há sinais ou sintomas”, disse.

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou novas diretrizes que ampliam o acesso à mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS), organizando o rastreamento no país.

Pelo novo direcionamento, o SUS recomenda mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Já mulheres entre 40 e 49 anos passaram a ter acesso ao exame mesmo sem sintomas, mediante avaliação e decisão conjunta com o profissional de saúde. No entanto, toda mulher de qualquer idade que tenha sinais ou sintomas deve ser avaliada.

Mitos e verdades sobre o câncer de mama

  • 1) MITO: Câncer de mama só acontece depois dos 40

Apesar de ser mais comum com o avanço da idade, a doença também pode atingir mulheres jovens. Nódulo, retração da pele, secreção pelo mamilo ou qualquer alteração persistente precisam de avaliação médica, mesmo antes dos 40 ou 30 anos.

  • 2) VERDADE: O protocolo do SUS mudou recentemente

Desde setembro de 2025, o SUS recomenda mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres entre 40 e 49 anos também podem fazer o exame, mesmo sem sintomas, mediante avaliação médica e decisão compartilhada.

  • 3) MITO: As regras são iguais no SUS e na saúde privada

No SUS, o rastreamento segue critérios populacionais, priorizando a faixa etária com maior impacto na redução da mortalidade. Na saúde privada, a indicação é mais individualizada, levando em conta histórico familiar, densidade mamária e outros fatores.

  • 4) MITO: Protocolos diferentes atrapalham a prevenção

As estratégias são complementares. No SUS, o foco é populacional. No privado, a avaliação é personalizada. Ambos os modelos contribuem para diagnósticos mais precoces.

  • 5) DEPENDE: Se palpo um nódulo, a primeira resposta é mamografia

Em mulheres mais jovens, o ultrassom costuma ser o primeiro exame. O mais importante é: nódulo palpável exige investigação imediata.

  • 6) VERDADE: Nem todo nódulo é câncer, mas todo nódulo precisa ser avaliado

Muitos nódulos são benignos, mas só exame clínico, imagem e, se necessário, biópsia definem a conduta.

  • 7) MITO: Mamografia espalha câncer por causa da compressão

Não há evidência científica de que a compressão espalhe o câncer. Ela é necessária para melhorar a imagem e reduzir a dose de radiação.

  • 8) VERDADE: O medo faz muita gente adiar o diagnóstico

Relatos recentes mostram que o medo leva muitas mulheres a adiar exames, o que pode atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento.

  • 9) VERDADE: Estilo de vida influencia o risco

Álcool, sobrepeso, obesidade e sedentarismo estão entre os fatores que aumentam o risco de câncer de mama.

  • 10) MITO: Sem histórico familiar, meu risco é baixo

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 70% a 80% dos casos ocorrem em mulheres sem histórico familiar. Ter parentes com a doença aumenta o risco, mas a ausência não elimina a possibilidade.

“Mais do que decorar idades ou protocolos, é fundamental que as mulheres estejam atentas ao próprio corpo. Nódulos, alterações na pele da mama, secreção pelo mamilo ou qualquer mudança persistente precisam ser avaliadas, independentemente da idade. Informação, atenção aos sinais e consulta em dia salvam vidas”

afirmou o cirurgião oncológico José Clemente Linhares.