O câncer de ovário costuma avançar de forma discreta não por “falta de sintomas”, mas porque cresce dentro da cavidade abdominal — um espaço onde o tumor pode aumentar de tamanho antes de pressionar órgãos e gerar queixas mais evidentes. Esse comportamento ajuda a explicar por que muitos casos ainda são identificados em fases mais avançadas.

Fotografia em plano médio de uma pessoa segurando um recorte de papel que representa o sistema reprodutor feminino (útero, tubas uterinas e ovários) à frente da região pélvica. O recorte destaca os ovários em círculos rosa vibrante sobre uma silhueta de útero em tons de rosa claro e escuro.
O diagnóstico precoce e a atenção aos sinais do corpo são fundamentais na conscientização sobre o câncer de ovário. Foto ilustrativa: Divulgação/ Freepik.

No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é de cerca de 7,3 mil novos diagnósticos por ano entre 2026 e 2028. A doença é mais comum após os 50 anos e figura entre as principais neoplasias ginecológicas no país.

Segundo a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas, o câncer de ovário é considerado agressivo principalmente pela dificuldade de identificação precoce.

“Em muitos casos, não há um fator de risco isolado evidente antes do diagnóstico, e os sintomas iniciais podem ser confundidos com problemas gastrointestinais ou hormonais”

explica a médica.

Tipos: maioria começa na superfície do ovário

Embora existam dezenas de variações, os tumores de ovário são classificados de acordo com a célula de origem. A grande maioria — cerca de 95% — começa nas células epiteliais, que revestem o ovário.

Os principais grupos são:

Carcinoma epitelial: o mais comum, inclui também tumores relacionados à tuba uterina e ao peritônio;

Tumores de células germinativas: surgem nas células que formam os óvulos;

Tumores estromais: originados no tecido que produz hormônios femininos.

Há ainda formas raras, como o carcinoma de pequenas células hipercalcêmico, cuja origem celular ainda não é totalmente conhecida.

Sinais que costumam passar despercebidos

Os sintomas não costumam ser específicos, o que dificulta a suspeita inicial. Em vez de um sinal único marcante, o câncer de ovário pode provocar um conjunto de alterações persistentes, como:

  • Sensação de inchaço abdominal frequente
  • Dor na região pélvica ou nas costas
  • Mudanças no intestino (diarreia ou prisão de ventre)
  • Náuseas, gases e indigestão constante
  • Cansaço sem causa aparente
  • Perda de apetite ou emagrecimento
  • Aumento da vontade de urinar
  • Sangramento vaginal fora do padrão, especialmente após a menopausa

O ponto de atenção, segundo especialistas, não é um episódio isolado, mas a repetição desses sintomas ao longo de semanas.

O que aumenta o risco

Não existe uma causa única definida, mas alguns fatores estão associados a maior risco:

  • Idade acima de 50 anos
  • Histórico familiar da doença
  • Mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2
  • Endometriose
  • Obesidade e sedentarismo
  • Tabagismo
  • Menarca precoce ou menopausa tardia
  • Não ter tido filhos

Por outro lado, estudos indicam que o uso prolongado de anticoncepcionais pode reduzir o risco, possivelmente por diminuir o número de ovulações ao longo da vida.

Por que o diagnóstico do câncer de ovário é desafiador

Diferente do câncer de colo do útero ou de mama, não há um exame de rastreamento padrão eficaz para detectar o câncer de ovário em fase inicial. Isso faz com que a investigação dependa da combinação de avaliação clínica, exames de imagem e testes laboratoriais.

Quando há suspeita, podem ser solicitados ultrassom, tomografia e exames para verificar acúmulo de líquido no abdômen (ascite) ou sinais de disseminação. Em muitos casos, a confirmação exige avaliação cirúrgica.

Tratamento depende do estágio

A abordagem varia conforme a fase da doença e o tipo de tumor. A cirurgia é o principal tratamento e pode envolver a retirada de um ou ambos os ovários. A quimioterapia pode ser indicada antes ou depois do procedimento.

Além do controle da doença, o planejamento leva em conta fatores como a possibilidade de preservação da fertilidade e o impacto na qualidade de vida da paciente.

Apesar de ter alta taxa de mortalidade quando diagnosticado tardiamente, as chances de resposta ao tratamento aumentam quando o tumor é identificado mais cedo — especialmente em mulheres que investigam sintomas persistentes e fora do padrão habitual do corpo.

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