A chamada Síndrome de Asperger deixou de ser considerada um diagnóstico separado e passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) desde 2013. A mudança ocorreu após atualização do manual de diagnóstico psiquiátrico, que passou a reunir diferentes condições dentro de um único espectro.

Hoje, o que antes era conhecido como Asperger costuma ser enquadrado como TEA nível 1 de suporte. Nesse grupo, estão pessoas que, em geral, têm linguagem preservada, inteligência dentro ou acima da média, mas apresentam dificuldades na interação social e na flexibilidade de comportamento.
Dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em 2022 indicam que cerca de 1 em cada 31 crianças de 8 anos nos Estados Unidos foi identificada com TEA, o equivalente a aproximadamente 3,2% nessa faixa etária.
Segundo a neuropediatra Marcela Dalla Bernardina Fraga Toso, coordenadora nacional da pós-graduação em Neuropediatria da Inspirali, o aumento de diagnósticos não significa necessariamente que existam mais casos.
Isso pode refletir maior conscientização sobre o tema, melhor capacidade de detecção, ampliação do acesso a serviços de avaliação e mudanças nas práticas de diagnóstico
explica Toso.
Asperger e autismo: existe diferença?
Atualmente, não há diferença diagnóstica oficial entre Asperger e autismo.
Antes da atualização do manual DSM-5, o Asperger era caracterizado principalmente por ausência de atraso na linguagem e sem deficiência intelectual. Já o chamado autismo clássico costumava apresentar atraso de fala ou comprometimento intelectual.
Hoje, todos os quadros são classificados como Transtorno do Espectro Autista, com especificações que incluem:
- nível de suporte necessário (1, 2 ou 3);
- presença ou não de deficiência intelectual;
- presença ou não de prejuízo na linguagem.
Na prática, o termo Asperger passou a ser considerado uma nomenclatura antiga dentro do espectro autista.
Quais são os sinais do TEA nível 1?
Os sinais costumam aparecer ainda na infância, mas muitos casos acabam sendo identificados apenas na adolescência ou na vida adulta.
Entre as características mais comuns estão:
- dificuldade em compreender regras sociais implícitas;
- interpretação literal de falas, com dificuldade em entender ironias ou metáforas;
- pouca reciprocidade emocional nas interações;
- interesses restritos e muito intensos em determinados temas;
- rigidez cognitiva e dificuldade com mudanças de rotina;
- sensibilidade sensorial a sons, texturas ou luz.
Especialistas também destacam que meninas podem apresentar camuflagem social, tentando imitar comportamentos para se adaptar, o que pode atrasar o diagnóstico.
Sintomas principais do autismo
De acordo com os critérios do DSM-5, os sintomas do TEA se organizam em dois grandes grupos.
O primeiro envolve déficits persistentes na comunicação e interação social, como dificuldade para iniciar ou manter conversas, alterações na comunicação não verbal, como contato visual e gestos edificuldade em criar e manter relacionamentos.
O segundo inclui padrões restritos e repetitivos de comportamento, como rotinas rígidas, interesses muito específicos, hiperfoco em determinados assuntos e alterações sensoriais, que podem envolver maior ou menor sensibilidade a estímulos.
Existe tratamento para o TEA?
Embora o autismo não tenha cura, intervenções especializadas podem melhorar significativamente a qualidade de vida.
Entre as abordagens mais utilizadas estão:
- terapia cognitivo-comportamental (TCC);
- análise comportamental aplicada (ABA);
- terapia ocupacional, especialmente para questões sensoriais e autonomia;
- fonoaudiologia, quando há dificuldades de comunicação;
- medicação, em casos de condições associadas como TDAH, ansiedade ou transtorno opositor desafiante.
Segundo a especialista, o tratamento ajuda a desenvolver habilidades sociais, melhorar a regulação emocional e aumentar a autonomia.
“Muitos adultos com TEA nível 1 têm carreira, relacionamentos e vida funcional satisfatória quando recebem suporte adequado”, afirma.
O que causa o autismo?
O TEA tem forte base genética e neurobiológica. Estudos apontam que a herdabilidade pode variar entre 60% e 90%.
Entre os fatores associados estão alterações genéticas, idade parental mais avançada, prematuridade, complicações na gestação, como diabetes gestacional e infecções ou uso de determinados medicamentos durante a gravidez.
Especialistas reforçam que não há evidência científica de que vacinas, falta de afeto ou estilo de criação causem autismo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do TEA é clínico, baseado em avaliação detalhada do comportamento e do histórico do paciente.
O processo geralmente envolve:
- entrevista com a pessoa e familiares;
- observação comportamental;
- aplicação de critérios do DSM-5;
- avaliação multiprofissional quando necessário.
Alguns instrumentos também podem auxiliar na análise, como ADOS-2 e ADI-R.
Atualmente, não existe exame de sangue ou de imagem capaz de confirmar o autismo.
Quem tem mais chance de diagnóstico?
Estudos mostram que o TEA é diagnosticado com mais frequência em meninos, numa proporção aproximada de três a quatro casos para cada menina.
O perfil historicamente associado ao antigo Asperger inclui:
- inteligência média ou acima da média;
- linguagem preservada;
- interesses muito específicos ou técnicos;
- dificuldade evidente nas interações sociais.
Nos últimos anos, especialistas também têm observado subdiagnóstico em meninas e diagnósticos tardios em adultos, além da associação frequente com condições como TDAH, ansiedade e depressão.
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