“Eu vou mostrar para vocês algumas imagens de um estudo muito divertido do Journal of Ultrasound Medicine. E me aventuro a dizer que é o artigo mais divertido já publicado no Journal of Ultrasound Medicine. O título é ‘Observações de Masturbação Intrauterina’.”

Na sequência, Mary Roach projeta uma ultrassonografia na parede do palco em que se vê claramente um feto segurando o pênis com a mão.

Não se esqueçam que é uma ultrassonografia, então “as imagens deveriam apresentar movimento”, acrescenta a jornalista americana especializada em ciência, lançando mão de sua veia de comediante para entreter a plateia, que ainda não decidiu se deve rir em voz alta ou levar o assunto a sério.

A jornalista lançou mão de sua veia de comediante para entreter a plateia

Dez anos se passaram desde que Roach fez sua apresentação na sala de conferências do TED na Califórnia, nos EUA.

Mas sua palestra continua sendo uma das mais populares na história da organização, com 27.066.502 de visualizações até a publicação desta reportagem.

“É porque é sobre o orgasmo e todo mundo tem curiosidade sobre o tema. Não acho que exista algo mais profundo do que isso”, avalia agora Roach em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

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E foi justamente essa curiosidade que levou a jornalista a investigar em profundidade informações pouco conhecidas e inusitadas sobre o orgasmo.

Por exemplo, por ser um reflexo do sistema nervoso autônomo (responsável por atividades que não controlamos conscientemente, como a digestão, frequência cardíaca ou excitação sexual), o orgasmo pode ser desencadeado por uma variedade surpreendente de estímulos.

Pode ser uma carícia na sobrancelha ou no joelho, ou como, no caso de uma mulher cujo exemplo Roach citou na palestra do TED, o simples ato de escovar os dentes.

Roach acredita que a palestra segue despertando interesse porque sexo e orgasmo são temas que sempre provocam a curiosidade das pessoas

“Algo na complexa ação sensorial-motora de escovar os dentes fez com que ela tivesse um orgasmo”, explicou Roach na palestra.

A mulher procurou um neurologista que investigou se a causa estava em algum ingrediente da pasta de dente – algo que foi descartado ao testar outras marcas – e também tentou estimular suas gengivas com um palito de dente, sem resultados positivos.

O segredo, obviamente, estava no movimento.

“O que mais me surpreendeu é que essa mulher deveria ter uma excelente higiene oral”, brinca Roach.

Infelizmente, segundo dizia o estudo, “ela acreditava que estava possuída por demônios e começou a usar enxaguante bucal para limpar os dentes”, contou a jornalista a uma plateia risonha, que se mostra mais à vontade com o tom da conversa.

IMAGEM ILUSTRATIVA

Falar sobre sexo

Para Roach, a conferência em si foi uma experiência bastante peculiar.

“Minha palestra foi bastante incomum para as palestras do TED na época”, explica. “Eles geralmente falam sobre grandes ideias, ideias para mudar o mundo. Eu não me encaixava nesse modelo (embora eles não tenham exatamente um modelo)”, acrescenta.

A jornalista lançou mão de sua veia de comediante para entreter a plateia

O propósito de Roach era outro. “Para mim, se tratava de uma exploração divertida sobre o estudo da fisiologia da sexualidade humana. Também queria prestar homenagem às pessoas que haviam feito pesquisas (sobre o tema), e quão estranho teria sido para muitas delas.”

A ideia, em poucas palavras, era “encorajar as pessoas a falar abertamente sobre sexo”.

Um dos momentos mais hilários da palestra ocorreu quando a jornalista explicou como a chamada teoria da “sucção” (que afirma que as contrações do útero durante o orgasmo ajudam o espermatozoide a chegar até o óvulo), refutada no caso dos seres humanos, é aceita como verdade por alguns especialistas no mundo animal.

“Na Dinamarca, o Comitê Nacional de Produção de Carne Suína descobriu que, se alguém estimula sexualmente a porca enquanto ela é inseminada artificialmente, o número de leitões resultantes aumenta em 6%”, explica Roach.

E, para ilustrar seu argumento, a autora mostra aos espectadores atônitos um vídeo do comitê em que um criador aparece montado sobre uma porca enquanto faz a inseminação – e tenta estimulá-la mecanicamente com a ajuda de suas mãos e pés.

Mais tarde, Roach ficou sabendo que o ator e comediante americano Robin Williams, que estava escutando a palestra de uma sala privada, começou a fazer as vozes do criador, dublando o que ele estaria dizendo enquanto estimulava a porca, algo que Roach lamenta não ter ouvido do palco.

Leia a matéria completa e acesse ao link com a palestra AQUI