Vereador de Pinhais é investigado por suposto caso de injúria racial: “Ouvi xingando de preta encardida”

O posicionamento do vereador pode ser lido abaixo

Gabriel Souza e Rafael Torquato

O vereador de Pinhais conhecido como Polaco do Perola (Cidadania) é investigado pela Polícia Civil por um suposto crime de injúria racial. Segundo denúncia, ele teria xingado uma comerciante negra, no bairro Weissópolis, no município metropolitano (RMC). A Banda B conversou com a mulher que teria sido vítima das injúrias. Ela diz que foi chamada de “preta veia”, além de inúmeros outros xingamentos. O caso, segundo ela, aconteceu no último dia 27 de abril.

Um vídeo (veja abaixo) mostra o momento da abordagem feita pelo vereador à mulher. Não é possível ouvir o áudio com as ofensas da denúncia, porém, testemunhas, teriam presenciado as falas racistas do político.

Foto: reprodução Banda B

A mulher que fez a denúncia, que não será identificada nesta reportagem, disse que foi abordada duas vezes pelo vereador. Na primeira, voltava da creche com a filha e não entendeu o que ele disse ao se aproximar. Na segunda vez, já ao lado da cunhada, no momento em que voltavam carregando um móvel, foi cercada pelo vereador, que estava de carro. O vídeo que a Banda B teve acesso mostra o carro que ele dirigia subindo a calçada e fazendo a abordagem. Foi neste momento, segundo a denunciante, que o vereador começa a ofendê-la.

“Começou com palavrões de nível bem baixo, palavrões humilhantes e, depois, começou a falar da minha cor. ‘Esses pretarada lixo, foi fazer da câmara, circo. Que quando a gente precisava dele, procurava ele. Depois foi procurar outro. Que a gente era Judas, que cuspimos no prato que comemos. Seus preto lixo, vocês acham que a câmara é circo’. Assim foi desferindo vários palavrões, nomes, assim, que dão até nojo de repetir tudo o que ele falou”, disse a mulher.

A cena foi gravada de uma câmera de segurança que fica na Rua Paranapanema, bairro Weissópolis. A Banda B conversou também com uma moradora do bairro, que alega ter testemunhado as ofensas com injúrias raciais.

“Fui buscar meu filho na creche, que fica em frente ao barracão, quando eu ouvi ele xingando de ‘preta encardida’, ‘veia podre’ e outros xingamentos também (…). Eu peguei e ofereci ajuda as meninas que estavam carregando um armarinho, fui junto com elas até a casa e foi quando uma delas comentou. Presenciei e foi feia a situação”, falou a testemunha.

O que houve em seguida?

A comerciante disse que não acreditava no que ouvia naquele instante. Diante da situação, a vítima pontua que questionou o vereador sobre suas falas.

“Eu me recordo que falei para ele, algo assim: estou mesmo ouvindo isto de um político que representa o povo. Estou ouvindo o xingamento de um homem que, muitos dos negros, o puseram neste lugar. E ele falou: ‘Tá ouvindo, sim!’, e continuou os vários palavrões e xingamentos”.

Várias pessoas, segundo a mulher, pararam na rua e presenciaram a cena. Mães que, assim como a testemunha, pegavam seus filhos na creche também escutaram as falas e motoristas pararam para prestar atenção no ‘espetáculo’, conforme definido pela vítima à reportagem, do vereador.

“O vídeo mostra que eu continuei andando e fui até a casa da minha sogra. Andei sem entender o porquê deste ato de loucura”, disse.

Vereador afirmou ter ficado ofendido, segundo a mulher

Após sair da casa da sogra, a mulher foi para casa. Lá, segundo ela, foi novamente abordada pelo vereador Polaco e, foi só neste momento, que entendeu o motivo que levou ao vereador realizar as injúrias raciais. De acordo com a vítima, Polaco ficou ofendido por não ter sido ele, o relator na Câmara (Municipal) de um pedido de homenagem para a sua falecida mãe, cujo nome batizaria a Unidade da Mulher, do bairro Weissópolis.

“Foi um outro vereador, amigo do meu sobrinho e da família, que quis levar o nome da minha mãe este pedido à Câmara. Minha mãe é muito conhecida no bairro, falecida há um ano e oito meses. Moramos há 40 anos aqui e, quando ele buscou a vida política, nós já o conhecíamos porque ele era proprietário de um mercado no endereço onde nos jogou contra o muro. Então, aí eu entendi o motivo do ataque”, ressaltou a mulher.

Ato de covardia

A mulher ainda definiu o ato do vereador como um “ato de covardia”. Ela fez questão de ressaltar que não foi a família que pediu para que a matriarca fosse homenageá-da, mas sim que a ação partiu do próprio parlamentar amigo do sobrinho. Além disso, a vítima revelou um segundo detalhe que considera importante, ao acusar o vereador de ser covarde.

“Poucos minutos depois de me ver pela primeira vez naquele dia, ele passou pelo meu irmão e não o atacou, não falou. Na volta, por eu ser mulher, ele jogou o carro e começou a me xingar. No fim, um amigo nos levou à delegacia e fiz o boletim de ocorrência por injúria racial”, completou a entrevistada.

No fim da entrevista, a vítima ainda reforçou que vereadores não podem ter condutas, como a que teria sido praticada por Polaco.

“Quis tornar isto público para mostrar para o povo que um vereador desse, sem nenhuma compostura, atacando uma pessoa do bairro dessa maneira, não pode representar o povo. Qual o nível de mentalidade de uma pessoa desta”, questionou.

A Polícia Civil informou à Banda B que investiga o caso.

Espaço Banda B – vereador acusado

A Banda B aguarda retorno do gabinete do vereador Polaco da Perola sobre as acusações feitas pela comerciante. Até o fechamento desta reportagem nenhum posicionamento foi enviado. O espaço segue aberto.

Assista ao vídeo com o momento em que o vereador se encontra com a denunciante:

https://www.bandab.com.br/wp-content/uploads/2022/05/WhatsApp-Video-2022-04-26-at-14.38.12.mp4
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