Um trabalhador ficou ferido no domingo (28) após um acidente com ácido nítrico na fábrica de explosivos Enaex Brasil, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O acidente aconteceu pouco mais de quatro meses após a explosão que matou nove pessoas e deixou outras sete feridas.
Em nota, a Enaex informou à Banda B que o trabalhador foi atingido pelo produto durante um procedimento de manutenção programada na planta industrial. O fato, diz a empresa, não tem relação com as atividades de produção de explosivos.

“Assim que o acidente foi relatado, os protocolos correspondentes foram acionados e o funcionário recebeu atendimento médico imediato. Ele se encontra em bom estado de saúde e permanecerá em observação médica até sua completa recuperação”, diz o comunicado.
O ácido nítrico é um líquido incolor, fumegante, altamente corrosivo e um forte agente oxidante. A Banda B busca atualizações sobre o quadro de saúde da vítima, que foi socorrida a um hospital de Curitiba.
A Enaex destacou que tomou medidas adicionais para reforçar a segurança.
A explosão na fábrica
O inquérito policial que investigava a explosão na fábrica da Enaex Brasil, em Quatro Barras, concluiu que o incidente não envolveu crime doloso ou culposo. No entanto, a investigação identificou falhas sistêmicas na gestão de risco da empresa, problemas estruturais e procedimentos improvisados que podem ter contribuído para a tragédia.
Segundo a delegada Gessica Andrade, responsável pelo caso, o trabalho investigativo incluiu a análise de imagens de monitoramento, depoimentos de funcionários e relatórios internos da empresa, além de mensagens corporativas e registros de incidentes anteriores. O laudo pericial indica que o epicentro da explosão foi no Edifício 44, dedicado à produção de boosters de pentolite — mistura de nitropenta e TNT.
A principal teoria levantada é que o atrito das pás do misturador com o pentolite parcialmente solidificado gerou energia suficiente para iniciar a detonação. A baixa temperatura registrada na manhã do acidente contribuiu para endurecer parte do material, enquanto ajustes incorretos no torque e na temperatura do equipamento aumentaram o risco.
As nove vítimas da explosão foram oficialmente identificadas no final de agosto pelas forças de segurança do Paraná. O incidente deixou outras sete pessoas feridas. Veja abaixo os nomes dos funcionários que morreram:
- Camila de Almeida Pinheiro
- Cleberson Arruda Correa
- Eduardo Silveira de Paula
- Francieli Goncalves de Oliveira
- Jessica Aparecida Alves Pires
- Marcio Nascimento de Andrade
- Pablo Correa dos Santos
- Roberto dos Santos Kuhnen
- Simeão Pires Machado
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), cerca de 1 mil vestígios das vítimas foram localizados pelas equipes durante as buscas, os quais foram analisados pelos laboratórios da Polícia Científica e pela Polícia Civil. A identificação das vítimas seguiu o protocolo internacional de Disaster Victim Identification (DVI), reconhecido pela metodologia científica em situações de múltiplas vítimas.










