O tornado que atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), no fim da tarde de sábado (10), foi classificado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) como de categoria F2 na escala Fujita, que tem ventos entre 180 km/h e 253 km/h. O fenômeno atingiu os valores mais baixos desta categoria, mas ainda assim causou danos significativos a residências, árvores e à rede elétrica ao percorrer pouco mais de um quilômetro.
A escala Fujita vai até a categoria F5. Como comparação, o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, em novembro de 2025, foi classificado como F4, na penúltima lista de intensidade da Escala Fujita.
De acordo com a Defesa Civil Estadual, um novo levantamento indicou que o tornado afetou cerca de 350 residências e impactou 1,2 mil pessoas. Ao menos duas pessoas ficaram feridas. Para auxiliar as famílias atingidas, 2,6 mil telhas foram enviadas à cidade, enquanto equipes trabalham para restabelecer a energia e remover árvores caídas.
O tempo estava bastante instável neste sábado no Paraná, com muita oferta de calor e umidade, e impactado por um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e Rio Grande do Sul, mas que se deslocou para o oceano. A mudança dos ventos em altitude também favoreceu a ocorrência de pancadas de chuva e tempestades em toda a faixa Leste do Paraná.
“A célula de tempestade mais severa se desenvolveu no fim da tarde sobre Almirante Tamandaré e Colombo, se deslocou sobre Curitiba provocando ventos intensos e precipitação de granizo, e foi até São José dos Pinhais”
explicou Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
No aeroporto de São José dos Pinhais, as rajadas de vento chegaram a 68 km/h. No bairro Guatupê, bem na divisa com o município de Piraquara, também na RMC, o tornado se formou dentro dessa célula de tempestade.
“Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos aqui na região. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo, sua circulação interagia com o solo configurando o tornado, e em outros momentos ela subia e o dano não era identificado. Ou seja, os danos foram pontuais”
detalhou Leonardo.
A mesma célula de tempestade ainda seguiu o trajeto até o Litoral paranaense, ocasionando forte tempestade na região de Guaratuba e Matinhos. Em Guaratuba as rajadas de vento ultrapassaram os 60 km/h, e o acumulado de chuvas passou de 60 mm em menos de meia hora.

Classificação
Assim que a célula de tempestade severa com possível formação de tornado foi identificada pelos meteorologistas do Simepar, a análise teve início. Dados do radar meteorológico que fica sobre o prédio do Simepar, em Curitiba, foram consultados, assim como dados de radares que ficam em estados vizinhos e abrangem a região Leste do Paraná.
O meteorologista Reinaldo Kneib foi até São José dos Pinhais ainda na noite de sábado para analisar os primeiros impactos do tornado. Ele registrou imagens e o grupo de meteorologistas de Curitiba iniciou os debates de classificação. Na manhã de domingo (11), os meteorologistas Leonardo Furlan e Júlia Munhoz, além da gerente de Geointeligência Elizabete Bugalski, retornaram ao bairro.
Elizabete sobrevoou a região afetada com o drone do Simepar que é equipado com um sensor Lidar, utilizado para mapeamentos. As imagens foram fornecidas para o time de meteorologia e para a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.
“Esse tornado foi bem documentado pela população. Várias pessoas gravaram vídeos, o que facilitou bastante para determinar a trajetória dele antes mesmo de vir para a cidade. Ele percorreu uma trajetória de nordeste para sudoeste do município, começando no extremo norte de São José dos Pinhais, próximo à divisa com Piraquara e perto de Pinhais, e deslocou até chegar à rua do Girassol, no Guatupê”
explicou Júlia Munhoz, meteorologista do Simepar.
De acordo com ela, a presença do meteorologista no local da ocorrência é fundamental para a melhor compreensão do fenômeno.
“Encontramos a população se movimentando em prol da reconstrução das casas que foram danificadas. Conversamos com a população, observamos quais objetos voaram de onde para onde, se teve mais destelhamento, se teve mais danificação estrutural, ou como que a vegetação ficou. Isso tudo é muito importante para a classificação ocorrer da maneira mais precisa possível”
disse Júlia.
Este já é o segundo tornado de 2026. O primeiro foi classificado como F1 na escala Fujita no município de Mercedes, com ventos de aproximadamente 120 km/h no fim da tarde do dia 01, causando danos na localidade de Arroio Guaçu.
Risco de tempestades severas
O risco de tempestades severas continua neste domingo. O boletim de gestão de riscos, elaborado pelo Simepar em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, aponta que, entre o fim da tarde e a noite, no Litoral, áreas dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro poderão ocorrer tempestades localmente mais intensas e com grande atividade elétrica.
O risco é alto na faixa litorânea para enxurradas, destelhamentos e quedas de galhos de árvores. No extremo Oeste e Sudoeste o risco é baixo, e no resto do estado o risco é moderado.
Na segunda-feira (12) o tempo começa a melhorar no Oeste do Paraná, mas no período da tarde pancadas de chuva e tempestades irregulares deverão voltar a ocorrer nas demais regiões. Novamente no Litoral, pancadas de chuva forte e tempestades pontualmente intensas poderão ocorrer, com chance para provocar rajadas de vento e muitas descargas elétricas.
Para receber alertas da Defesa Civil, basta enviar um SMS com o CEP da residência para o número 40199.



