Se tivesse mais estrutura, você trocaria o carro pela bicicleta? Uma pesquisa encomendada pelo Greenpeace ao Instituto Datafolha revelou que 74% da população brasileira apoia a implementação de medidas para reduzir a quantidade de carros nas ruas. O que falta, além de estrutura, é incentivo. Foi pensando nisso que um projeto de Curitiba tem buscado fazer a sua parte nessa engrenagem.

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Foto: Ilustrativa.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que até julho de 2023, o Brasil tinha 120 milhões de veículos, representando um aumento de 35% nos últimos 10 anos. 

Apesar disso, mais da metade dos deslocamentos urbanos têm menos de 6 km, sendo um quarto de até 1 km, distâncias que poderiam ser facilmente percorridas a pé ou de bicicleta, mas a falta de infraestrutura e segurança para esses meios de transporte alternativos impede a sua expansão.

Isso significa que incentivar o uso de bicicleta é uma das ferramentas mais efetivas para diminuir a quantidade de carros nas cidades, como avalia Zé Lobo, diretor da ONG Transporte Ativo. 

“Bastam calçadas e infraestrutura cicloviária decente, bem pensada e de qualidade, que sejam convidativas e permitam ao cidadão se sentir seguro ao se deslocar por ali. Caminhar e pedalar podem cobrir mais de 60% das viagens urbanas, além de contribuir com a saúde e qualidade de vida do cidadão”

avalia Zé Lobo.

Mais mobilidade, menos poluentes

Melhorar a qualidade das ciclovias, dos bicicletários e do acesso ao transporte público, bem como oferecer mais segurança para os pedestres, é a única forma de diminuir a quantidade de carros nas ruas.

Por isso, o Projeto Movimenta, uma colaboração que é uma junção de forças que envolveu até mesmo os órgãos públicos, busca fomentar o uso da bicicleta no ambiente urbano. Tal iniciativa tem o objetivo de promover impacto profundo na mobilidade ativa e na sustentabilidade local.

O projeto, apadrinhado pelo empreendimento MOVA.WF, consiste na doação e instalação de bicicletários para os principais terminais da Região Metropolitana de Curitiba, garantindo um espaço seguro e exclusivo para os ciclistas, incentivando o uso deste modal e atraindo novos usuários ao sistema.

De acordo com Maria Engenia Fornea, CEO da Weefor e diretora do Instituto WF, com a expectativa de aumento de usuários de bicicletas a partir da instalação dos bicicletários, é estimulado que trajetos médios até o terminal (4km/dia) sejam feitos em um transporte não poluente, reduzindo a emissão anual de 92,16kg de CO2 por usuário.

“Com a instalação de novos bicicletários em todos os terminais da Região Metropolitana de Curitiba, esperamos atingir um volume de redução de 607 toneladas de CO2 por ano. A obra do MOVA.WF emitirá aproximadamente 2.300 toneladas de CO2. Então, o Projeto Movimenta ajuda a neutralizar essa emissão em aproximadamente quatro anos”

explica Maria Engenia Fornea.
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Foto: Divulgação.

Bicicletários pela RMC

Em dezembro de 2023, foi inaugurado o bicicletário de Campo Largo. O espaço atende cerca de 800 usuários por dia. 

Em abril deste ano, foi inaugurado o bicicletário de Campina Grande do Sul. O ponto de apoio beneficia aproximadamente 300 usuários ao dia. 

Já o bicicletário do terminal de Piraquara está em andamento e deve ser entregue no segundo semestre de 2024, atendendo mais de 500 usuários por dia. 

Além disso, pesquisas estão sendo realizadas nos terminais de Almirante Tamandaré para construção de mais dois bicicletários e pretende-se atuar em mais cinco municípios (Araucária, Colombo, Fazenda Rio Grande, Pinhais e São José dos Pinhais).

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Projeto doa bicicletários para diminuir o número de carros nas ruas em Curitiba e Região Metropolitana

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