A procuradora do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR), Cristiane Sbalqueiro Lopes, afirmou em entrevista à Banda B, nesta terça-feira (28), que a Petrobras não está preparada e munida dos estudos necessários para tomar a decisão de fechar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen). Um inquérito foi aberto para investigar o processo de encerramento das atividades da subsidiária, que fica em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

“Saltou aos olhos que muitos elementos cruciais para a tomada dessa decisão, não tinham sequer sido aventados. Por isso, digo que a Petrobras não está preparada para adotar uma decisão desse tipo”, disse Lopes.
Em audiência realizada na última sexta-feira (24), o MPT solicitou um planejamento detalhado do encerramento das atividades da fábrica, abordando aspectos ambientais e sociais.
“Há um risco ambiental grande nesse processo de fechamento da fábrica, por conta dos gases tóxicos e resíduos radioativos que estão lá dentro. Também não houve ainda estudo suficiente e cogitação de alternativas para minorar os danos que vão ser causados com essa decisão para os trabalhadores, comunidade e empresas que dependem da Petrobras”, continuou a procuradora.
Lopes disse ainda que o MPT não tem pressa para resolver o impasse e que uma decisão como essa precisa ser mais amadurecida e discutida. No momento, o órgão pediu para a Petrobras que suspenda qualquer medida que leve adiante o plano de demissão em massa e fechamento da fábrica.
A procuradora disse ter “fortes suspeitas” de que a empresa não tem os documentos exigidos pelo MPT. “A Petrobras disse na audiência que precisava de 48 horas úteis para apresentar os documentos exigidos por nós, que mostrariam os planos de gerenciamentos de risco e os impactos sociais e ambientais do encerramento das atividades. Porém, nós temos fortes suspeitas de que a Petrobras não tem esses documentos”, afirmou Lopes.
A empresa se comprometeu a apresentar um prazo para a entrega de cada documento solicitado até esta terça-feira (28).