Moradores se revoltam com morte no Serra do Mar e protestam contra polícia

A PM afirma que o rapaz, suspeito de tráfico, atirou contra a equipe; os moradores não acreditam nessa versão

Marina Sequinel e Flávia Barros

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(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

 

Um jovem de 18 anos morreu em confronto após uma denúncia de tráfico de drogas no condomínio Serra do Mar, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Logo após a ocorrência, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (29), os moradores do imóvel se revoltaram e colocaram fogo em entulhos, bloqueando a entrada ao local – já conhecido pelo grande número de casos de violência.

A versão oficial da Polícia Militar (PM) é de que a equipe seguiu até o condomínio para verificar uma denúncia anônima de tráfico de drogas e foi recebida a tiros. “Nós fomos até o apartamento indicado e nos deparamos com a porta entreaberta. De lá, já conseguimos visualizar drogas e outros objetos em cima de uma cômoda. A equipe entrou e, quando chegou no quarto, o indivíduo já estava escondido no guarda-roupa e efetuou disparos contra os policiais, que revidaram e o atingiram”, disse o tenente William, do 17º Batalhão, em entrevista à Banda B.

Segundo ele, o socorro chegou a ser acionado, mas o rapaz já estava morto. Com ele, a PM informou ter encontrado uma pistola com numeração suprimida e a suspeita é de que ela pertencia a um policial. “Pelo o que apuramos, o jovem tinha diversas passagens, inclusive com mandado de prisão por homicídio. No apartamento dele, apreendemos uma balança de precisão e um pouco mais de 1 kg de maconha”, completou o tenente.

As pessoas que moram no condomínio, por outro lado, não acreditam na versão da polícia. Uma amiga do rapaz, que também tem 18 anos e preferiu não se identificar, afirmou à reportagem que ele foi morto enquanto dormia. “O menino estava dormindo quando nós ouvimos eles metendo o pé na porta e os disparos. Escutamos o grito dele e aquele monte de tiro… Ele era muito de boa, não fez nada. Que tipo de covardia é essa?”, falou, bastante revoltada.

Como forma de protesto, os moradores colocaram fogo em entulhos para bloquear a passagem de carros. “Não é só porque aqui tem traficante que todo mundo é bandido, tem família de bem também”, comentou.

No local, surgiu a informação de que o suspeito teria envolvimento na morte de um policial militar no ano passado, o que explicaria a origem da pistola encontrada com ele. Esse fato, no entanto, não foi confirmado por uma fonte oficial.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e apagou o fogo no local. O corpo do rapaz foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e a Corregedoria da PM deve investigar o caso.

 

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