O jovem Roberto Farias Thomaz, que se perdeu no Pico Paraná e ficou desaparecido por cinco dias, afirmou nesta terça-feira (6) que pulou de uma cachoeira de aproximadamente 30 metros de altura para tentar sair da área de mata fechada e alcançar um local onde pudesse continuar avançando até o resgate.
Em entrevista ao programa Balanço Geral, da Ric RECORD, Roberto afirmou que a decisão foi tomada após escorregar por uma ladeira íngreme e não conseguir retornar ao ponto inicial do trajeto. Segundo ele, durante o período em que esteve perdido, comeu somente uma ameixa e uvas e bebeu água retirada de cachoeiras.

“Estou muito grato a tudo. Tive muita fé pra conseguir chegar até aqui. Hoje dou graças a Deus por não ter nenhum lesionamento. Não quebrei nada, nenhum osso. Agradeço por isso, porque se tivesse quebrado algum osso, não teria chegado até aqui”, afirmou ao repórter Tiago Silva, que esteve no hospital onde Roberto está internado, em Antonina, no litoral do Paraná.
O jovem também relembrou que estava acompanhado de um grupo quando iniciou a descida do Pico Paraná, mas acabou ficando para trás após o encontro com outros montanhistas no caminho. Segundo ele, as condições climáticas se agravaram, com ventos fortes.
Durante a descida, ao tentar seguir por um trecho sinalizado com fitas improvisadas, acabou escorregando por uma ladeira até o início de uma cachoeira. Ele contou que tentou subir novamente, mas não teve forças nem apoio para retornar, o que o levou a tomar a decisão de pular.

“Eu procurava subir em pedras maiores na cachoeira. Eu pulei de uma cachoeira de mais de 30 metros de altura. Não tinha escolha”, disse.
Roberto relatou que chegou a cair em uma correnteza, bateu contra pedras e acabou perdendo uma das botas que calçava e os óculos. Ele afirmou que foi arrastado por mais de um quilômetro pela água, chegou a se afogar e precisou lutar contra a força da correnteza para conseguir sair.
Após a queda, Roberto seguiu andando pela mata e seguindo o rio. Sem equipamentos, comida ou sinal de celular, ele passou cinco dias tentando se orientar pelo curso do rio. Em alguns dias, chegou a dormir em grutas e a se cobrir com folhas de árvores devido ao frio e chuva.
O Corpo de Bombeiros estima que ele tenha caminhado por aproximadamente 20 quilômetros.
Roberto está internado em um hospital de Antonina, onde chegou lúcido, mas com sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, ele foi submetido à profilaxia medicamentosa e reidratação endovenosa. “Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem para investigação complementar e ele vai permanecer sob observação enquanto aguarda os resultados”, disse a pasta.
O jovem afirmou que, ao retornar para casa, a primeira coisa que pretende fazer é comer picanha.