O jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que ficou desaparecido por cinco dias no Pico Paraná, contou que sobreviveu na mata se cobrindo com folhas de árvores, dormindo em grutas e se alimentando apenas de frutas. Segundo ele, durante o período em que esteve perdido, comeu somente uma ameixa e uvas e bebeu água retirada de cachoeiras.
Thomaz desapareceu no dia 31 de dezembro, após subir até o cume mais alto do Sul do País acompanhado de uma amiga. Durante a descida, ele foi deixado para trás pela amiga e acabou se separando de outros trilheiros. Ele só foi encontrado nesta segunda-feira (5), ao buscar ajuda por conta própria em uma fazenda de Antonina, no litoral do Paraná. O jovem caminhou mais de 20 km.
No relato divulgado pelo perfil Antonina Adventure, o jovem disse que caminhava pelas trilhas durante o dia e, no fim da tarde, buscava locais protegidos para passar a noite. Ele afirmou que se abrigava perto de grutas e áreas cobertas por árvores para se proteger da chuva e do frio, usando folhas para se cobrir e tentar manter o corpo aquecido.
“Nesses cinco dias, quase quebrei o joelho, pulei por uma cachoeira de mais de 30 metros de altura, pedindo proteção sempre pro Pai. Depois de ter pulado dessa cachoeira, eu continuei nadando. Encontrava as pedras maiores e subia nelas pra poder continuar vendo a vista do que tinha pela frente”, descreveu Thomaz, que está internado em um hospital de Antonina, no litoral do Paraná.
Roberto relatou que chegou a cair em uma correnteza, bateu contra pedras e acabou perdendo uma das botas que calçava e os óculos. Ele afirmou que foi arrastado por mais de um quilômetro pela água, chegou a se afogar e precisou lutar contra a força da correnteza para conseguir sair.

“Nas noites, chegava perto das 16 horas e ouvia os grilos. Daí eu sabia que tava ficando um pouco mais de noite. Eu me jogava perto de gruta, perto de mato, onde era coberto por árvores, pra não pegar um pouco de chuva, porque tava chovendo bastante. Aí continuei. Passava a noite nessas grutas, cortava pedaços de folhas pra me cobrir”, acrescentou.
O rapaz afirmou que pulou de uma cachoeira durante o trajeto, mas desistiu de atravessar outra maior ao perceber que poderia morrer. Ao procurar uma alternativa, encontrou estruturas próximas às cachoeiras, subiu por elas e seguiu por uma ponte de madeira, que o levou até uma chácara, onde pediu socorro.
No local, ele recebeu ajuda dos trabalhadores, que acionaram a polícia e socorro médico. Thomaz disse que durante todo o período manteve a fé, fez orações e pensou na família enquanto tentava encontrar uma saída da mata.
“Eu olhei para a esquerda e tinham umas construções que o pessoal fez para essas cachoeiras. Eu subi nessas construções, vi uma ponte de madeira e segui a ponte de madeira até o fim. Aí eu encontrei uma chácara, onde eu encontrei um pessoal lá e pedi socorro. Daí apareceu a polícia e os bombeiros.”

Roberto está internado em um hospital de Antonina, onde chegou lúcido, mas com sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, ele foi submetido à profilaxia medicamentosa e reidratação endovenosa. “Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem para investigação complementar e ele vai permanecer sob observação enquanto aguarda os resultados”, disse a pasta.